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sexta, 25 de abril de 2003
nika 77!
nika é minha co-piloto em andanças pelas ruas de bratislava e vienna. e, mais importante de tudo, uma das melhores djs de hard-techno da rep. tcheca.
comprar disco com djéia é bem engraçado. primeira diferença: nos 10 primeiros minutos na blackmarket eu tinha juntado uma pilha de uns 20 discos e tava na fila pra escutar. ela tava com um na mão, na capa um ursinho e um coelhinho. eu pergunto se ela quer escutar e ela fala: não, esse eu vou levar pela capa, é tão fofinha.
nika vai preparando os pés que em setembro estou em praga! ahoj!
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quarta, 23 de abril de 2003
carandiru
eu realmente não gostei de carandiru. sai do cinema emburrado.
não vou me restringir a dizer que cidade de deus é melhor, o que parece ser a resposta pronta na boca de todo mundo que eu perguntei se tinha visto e o que tinha achado.
até porque não tem muito a ver, nego tá achando que carandiru é cidade de deus: a missão. e, embora ambos os filmes denunciam de alguma maneira a injustiça social e moral no brasil, as semelhanças vão parando por aí.
o que eu menos gostei no filme do babenco foi o roteiro. mal direcionado, sem uma trama principal. as cenas vão pulando de uma a outra como se fossem sketches de uma comédia… comédia sim, porque só se ri, até bem o final, quando rola a tragédia. mas daí o filme já está no fim e o que importa foi ver o santoro de drag e a rita cadillac na boquinha da garrafa.
o presídio, como personagem, fica esquecido. se estivesse mais presente, quando explodisse no final poderia causar impacto. o impacto que não rolou.
o fator humano da história se perde na desigualdade do nível das atuações. algumas muito boas, outras beeeem canastronas.
e, meu deus, porque, do que o dr. drauzio varella ri o filme inteiro? ele não para de mostrar dente! pode notar, ele fica com as mãos cruzadas e ri pra tudo e todos… ele acaba virando um boneco de borracha, alguém impossível de se simpatizar. e quando ele fala, solta um sotaque carregadíssimo de nordestino!
fiquei com a impressão que a produção poderia ter tido um cuidado maior…
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terça, 22 de abril de 2003
minha querida sputnik
eu tava no maior banzo em ny, 3 horas esperando pelo meu vôo no newark e comprei o sputnik sweetheart (minha querida sputnik, ed. objetiva, ~ r$35) do haruki sem pensar - meu eterno radar para “all things japanese” no “mode on”.
li quase que todo na viagem de volta a sp e achei bacana. por conhecidência ou não, alguns technoheads amigos já tinham lido o dance dance dance. pensando bem, sem conhecidência alguma, vai, todos tenhos um email tokyo.com e gostamos do fumyia tanaka! hehe.
são raríssimos os autores japoneses traduzidos para algum lingo ocidental. o koji suzuki tá finalmente sendo traduzido pro inglês, na cola do sucesso estrondoso d’o chamado nos cinemas americanos.
a razão deve ser a falta de japoneses que falam fluentemente o inglês literário/acadêmico, vamos dizer, apesar de não faltar gente pra inventar os engrishes que invariavelmente decoram as embalagens dos made-in-japan.
por várias vezes tive a impressão de estar perdendo detalhes na cópia americana do livro e fazendo um google rápido vejo que muita gente concorda comigo.
quem leu dance dance dance (ao q me parece ainda inédito no brasil) em inglês disse que a tradução é melhorzinha.
no brasil, a oferta de gaijins tradutores é boa, podiamos ter mais volumes japoneses sendo vendidos… mas enquanto isso não acontece, corra e compre o “sputnik”.
murakami mistura o drama de paixões frustradas/platônicas com uma história de suspense místico, surreal e meio noir. mas nada é narrado pomposamente, muito pelo contrário, a simplicidade do desenrolar dos fatos na narrativa de murakami é ultra-pessoal, cotidiana.
é um estilo meio alien e absurdamente não-ocidental, que mistura suspense supernatural, até meio beatnik, com a confusão da psyche japonesa a qual estamos expostos desde criança, via os infames animes matutinos.
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segunda, 21 de abril de 2003
feriadão velharia
impulsionado por um post da global-techno que mencionava um disco pesadíssimo que o ian pooley lançou pela plus 8 há um tempinho, remexi várias pilhas de discos velhos.
não encontrei o disco-estopim do surto-traça, mas fiz um montinho descente de velharias e fui escutar um a um.
uma coisa está clara: eu podia parar de comprar disco agora e ainda continuar fazendo sets com músicas que pouca gente conhece por um booom tempo.
resultado, sem modéstia alguma, de uma ponderadíssima seleção de música eletrônica ao longo de quase 10 anos. pouca coisa revela o ano no qual foi concebida, o que indica, mais que meu bom gosto, um ouvido afiado para patterns que com certeza sofreriam com o peso do passar dos anos.
serviu para eu fincar meus pés no chão com mais força e lembrar que eu não posso comprar discos só pensando na próxima gig. aquele vigorito que é menos breguinha e que tem um break que até vai bombar não vai ser tocado por mais de um mês e vai tomar o lugar de um disco que poderia ser tocado daqui a 2 anos, sem constrangimentos.
heh.. um post bem fubu, mas depois que eu vi que tem gente que coloca o QI no blog…
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quarta, 16 de abril de 2003
dj format
muito bom esse vídeo do dj format.
aliás, no site do diretor ruben fleischer tem vários outros, todos igualmente interessantes.
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copy controlled
como a indústria fonográfica acha que vai viver com esses cds “copy controlled”?
a gente aqui na mtv ganha cd de graça, prá divulgação. 98% dos computadores são macs rodando OS 9.1 e, embora a mega explicação que fode toda e qualquer tentativa de design na contracapa do cd diga que rola nesse sistema, ninguém consegue ouvir mais que meio minuto de cada música. a bagaça pára e trava o computador.
e, como eu já disse antes, esse mega logo escroto “copy controlled” está em todo lugar possível. na capa do cd do ben harper é três vezes maior que o nome do artista. no verso, os requirements e disclaimer da bagaça tem mais destaque que o nome das músicas…
e vc ainda vai pagar 40 reais por isso?
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segunda, 14 de abril de 2003
apofenia
tou lendo o pattern recognition e, mesmo sem ter acabado o livro, posso falar que é um dos mais completos e pensados enredos que eu já conheci.
às vezes me pego relendo um trecho inteiro e marcando coisas para pesquisar depois.
uma dessas é uma patologia chamada apofenia, cuja mera menção vez ou outra no livro é a prova do amplo espectro que gibson dá a análise de padrões na história do livro.
apofenia é o reconhecimento (embora falho) de padrões no acontecimento dos eventos.
as pessoas com “crises” de apofenia vêem ou prevêem situações com base em padrões que não existem e são meramente obras do acaso.
um exemplo: aqueles alarmistas que sempre acham fatos que comprovam as teorias de nostradamos, aqueles numerólogos de programa bagaça na tv…
segundo o suiço peter brugger: “the propensity to see connections between seemingly unrelated objects or ideas most closely links psychosis to creativity … apophenia and creativity may even be seen as two sides of the same coin.” (tirado daqui)
a idéia que as pessoas mais criativas também são as mais propensas a esse tipo de mal julgamento é estranha. a personagem principal do livro deve sofrer desse mal de alguma maneira, já que ela vive de identificar padrões de consumo.
isso deve ter algum impacto na trama do livro, já que deu pra perceber que cayce p. é meio noiada. com ou sem razão, é o que vou saber quando chegar no final.
na estatística, a apofenia é chamada de type I error.
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regis
O.M. Peter Sutton, Tony Child and you (Regis) contrived the well-documented ‘Black Country Sound’. Is that a term that you can relate to?
R. I don’t know. As long as it annoys people. I don’t know, I’ll relate to anything really to be perfectly honest - ‘Black Country Sound’ is as good as anything. Maybe it is. I think we’re quite heavy on one side. It’s a very heavy sound without being oppressive. It’s a very considered sound. I don’t want to play too much on it really, because we’ve got that sound and that’s what people know you for, all well and good, but when you start accepting those terms it makes it hard to go into new areas. What we do here is definitely a Black Country sound. We do our seven inches featuring me and Pete, which are totally different. It’s where we make the music, but having said that though for the ‘Gymnastics’ period we were encamped in New York - for five or six months. It was what inspired ‘Gymnastics‘ - that city. It wasn’t around here. And Pete’s album - we were out in bloody Morocco. The job of the journalist is to translate what’s on the audio in to words to relate it to the reader. That’s probably the best way to describe that period - but if anything ‘Gymnastics’ is definitely a New York album. That whole period we were encamped there - we lived there for six or seven months. People who have always been our strongest followers were in that city. The only reason we moved out is because the porn industry closed down to be honest. One of my main criticisms of Birmingham is that they’ve tried to clean it up into this ‘business’ type of city. My plans would be to turn the whole of Broad Street into the Reaper Bar - just turn it into the trashy shithole it should be. That’s what we’re all about anyway - we’re about filth and trash. That’s what I’ve always felt we’re about rather than anything else. We’ve got a niche in the scene, and that’s probably our angle on it really - we’re a bit dirty and trashy.
boa entrevista do Karl (O’Connor, ou Regis) para a overload que eu tou re-lendo.
essa entrevista serviu de suporte pra uma matéria sobre o techno de birmingham publicada na falecida versão impressa da overload.
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domingo, 13 de abril de 2003
cellardoor
o melhor site de fã que eu já vi sobre donnie darko.
feito por um darkohead, para outros darkoheads…
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quinta, 10 de abril de 2003
new track: spiceee vs nego moçambique
desconstrui o africa sideral do nego moçambique e aqui está o resultado.
angolaaaaaaa congooo mandelaaaa moçambiqueeeeeeeee!!!
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terça, 8 de abril de 2003
urls espertas
esse artigo brilhante da adaptative path fala exatamente o que eu penso sobre urls confusas.
na verdade, estou trabalhando num jeito de deixar que o software de publicação da mtv, o mtv easyedit seja sensitivo ao contexto no qual a url é chamada.
por exemplo, essa notícia que hoje em dia só pode ser diretamente acessada por:
http://www2.mtv.com.br/drops/drops.php?id=1266
poderia ser acessada por:
http://www2.mtv.com.br/drops/michaeljackson/
sem que o autor da notícia tivesse que necessariamente cadastrar ‘michael jackson’ como keyword da notícia.
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segunda, 7 de abril de 2003
metropolis em dvd
vi no site da 2001 que o anime metrópolis vai ser lançado em dvd duplo no brasil.
lembro bem da manhã fria de outubro que eu acordei as 9 da matina pra ver o filme na mostra br… tinha bem pouca gente, eu, uns japas e quase nenhum povo mostra.
o filme é uma adaptação do clássico mangá escrito em 1940 por osamu tezuka, altamente influenciado pelo clássico de fritz lang, e dirigido por rintaro (q também trabalhou em akira).
metropolis é uma cidade de um futuro distante, em um universo paralelo cuja estética é baseada no art deco e a música nas big bands dos anos 20. a sociedade de metrópolis é altamente segmentada, pessoas e robôs vivem como senhores e servos, sob constante ataque de facções anti-robôs.
o que mais me chamou a atenção em metrópolis foi os contrastes visuais e temáticos… a cidade é o ápice da evolução tecnológica de um povo, enquanto que a música que embala os pans de tirar o fôlego é um charleston empoerado.
as contruções em background são CG’s espetaculares e os personagens são cartoonish e desproporcionais, no estilo de astro boy (tb dirigido por rintaro).
esses aversos são o melhor e o pior do filme - às vezes os personagens bochechudos meio que não encaixam no ambiente futurista, metálico e frio, como também a música distoa uma vez ou outra do plot meio noir a lá bladerunner.
mas a trama segue sem muitos tropeços e sem aquelas atitudes comportamentais estranhas que só os japoneses entendem - ainda bem!
os personagens são bem trabalhados: o robozinho que carrega lixo e que ajuda ken-ichi e temu na hora do aperto é com certeza um dos meus personagens de anime preferidos hoje em dia.
o maior feito de metrópolis é experimentar estéticamente dentro dessa idéia pré-estabelecida de anime. é realmente diferente de tudo que já foi feito nesse terreno.
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quinta, 3 de abril de 2003
zé-lador
se vc mora em são paulo muito provavelmente já esteve numa situação dessas:
http://www.porteiroze.hpg.ig.com.br/
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terça, 1 de abril de 2003
whitespaces
achando que os whitespaces são negligenciados no mundo da programação, dois geeks ingleses criaram a whitespace, uma linguagem de programação procedural simples, que ignora todos os caracteres visíveis a olho nu.
o site oficial da whitespace afirma que a linguagem é uma ótima solução para agências de espionagem, pois o código após impresso não deixa nenhum vestígio - “ninguém notará que uma folha em branco é na verdade código de um programa vital de computador”, diz o criador.
aqui em baixo, vai um pedaço do source do hello world:
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