é de enlouquecer
última semana útil do ano: no trabalho tudo tem que estar fechado e testado para subir em janeiro, amigos secretos, festas do departamento, da firma.
na sua vida, todos os grupos de amigos fazem suas festas de fim de ano e você tem que ir, pensar em presentes para a famÃlia, enfrentar shoppings lotados, lembrar que você vai sair de férias por uma semana e precisa ainda por cima comprar coisas pra você, tirar a caixinha da faxineira, porteiros, zeladores e todos que lhe prestam algum tipo de serviço no dia a dia.
a idéia não é sentir paz no coração? em que shopping compra? ainda tem? tá difÃcil de estacionar?
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king kong 




eu posso indicar o momento exato em que esta refilmagem de peter jackson ganhou o meu respeito: numa cena que talvez outro cineasta descartasse a fim de enxutar um filme de 3 horas de duração a dançarina de vaudeville interpretada por naomi watts, capturada por um macaco de nove metros, isolada numa ilha da qual nunca ninguém ouviu falar, começa a dançar e divertir sua audiência, esta tão difÃcil e carrancuda quanto a de nova iorque pós quebra da bolsa.
o imponente gorila urra, empurra a dançarina ao chão, urra mais uma vez. até que ela perde a paciência e briga com ele. ele pára, olha o horizonte; desvia o olhar num misto de vergonha, surpresa, alegria, solidão. sim, o macaco expressa isso com um simples olhar. não é exagero dizer que o bicho virtual, um gollum 2.0, é o melhor ator do filme.
fiquei surpreso com king kong, com os olhos do bicho.
em cenas mais longas que ele aparece em close-up é possÃvel olhar em seus olhos e ver que ele sente, pensa, sofre. e é por isso que, escondido por trás da ação incessante, da magnetude da skull island (em que mais da metade do filme se passa), da linda reconstrução da nova iorque dos anos 30, está a história triste de um ser solitário, talvez o último de sua espécie, que rende-se à sua parte menos besta e sofre em conseqüência disso.
fran walsh, esposa de jackson, co-roteirista e co-produtora, disse à revista premiere que o filme deveria ser um remake da versão dos anos 30 com uma ressalva: o “monstro” deveria ser mostrado à luz do que se sabe hoje em dia sobre o animal, que são seres sentientes, espirituais, dotados até de cultura própria.
este, na minha opinião, é o trunfo do filme: king kong só é um monster movie se os monsters forem nós mesmos.
não existe nenhum momento do filme em que eu torci para o cineasta trapalhão carl denham (interpretado surpreendente bem por jack black), e quando kong segue seu destino ao fim do filme, mesmo sabendo o que acontecia antes de entrar na sala do cinema, partiu meu coração.
o filme não é perfeito. não achei que a trilha sonora de james newton howard ajudou. quem estava acostumado com o espetáculo que howard shore criou para a trilogia do senhor dos anéis sabe que este filme poderia ser muito, mais muito melhor com uma trilha que tivesse aos pés das imagens criadas por peter jackson e sua weta.
os efeitos digitais mostram a sua cara em algumas cenas também. porém, em mais de 1600 cenas com efeitos especiais, apenas umas 3 me incomodaram. não me incomodariam em outro filme mas num filme de peter jackson, com uma das criaturas mais crÃveis já vistas em pelÃcula, incomodam.
percebe-se, ainda, aqui e ali, vÃcios de quem passou oito anos filmando o mesmo filme (mesmo que lançados em 3 partes): a fotografia das cenas noturnas da ilha, as rochas, as cenas de alta tensão num efeito slow-motion, os pans impossÃveis pelos cenários são fácilmente reconhecidos por quem examinou sua versão da terra-média com olhos mais atentos.
mesmo assim, king kong foi o melhor blockbuster que eu vi esse ano, justamente porque ele é mais que isso. confesso que fico preocupado com a falta de público do filme. aqui também senti os cinemas mais vazios do que o usual num lançamento deste porte e não entendo o porquê.
mais inspirado que guerra dos mundos, mais divertido, espiritual e humano que nárnia e o harry potter juntos. e infelizmente o último filme deste porte vindo de peter jackson por um bom tempo, que agora vai tirar um ano de folga e volta com um filme mais intimista, adaptado do romance the lovely bones.
mas isto não é tudo. peter, seus roteiristas e seu exército weta começam a esquentar as turbinas para a adaptação do game halo, o shooter mais fudido da história da humanidade, escrita pelo competente alex garland (de o extermÃnio). peter está creditado como produtor executivo mas rola um boato forte que ele vai chutar as férias de um ano pro espaço e dirigir o filme.
olha, eu tremo nas bases só de pensar no que peter jackson e a weta poderão fazer com um roteiro de ficção-cientÃfica dos bons, master chief mandando bala nos covenants e com a praga flood carcomendo fogo amigo e inimigo!
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música do dia
diplo remixando gold digger do kanye west. é mp3 blog, portanto num esquema enquanto durar o estoque.
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ping pong
enquanto “os colega primata” já estão de plantão na porta de um cinema na Ãndia, tou deixando para ver king kong no finde, numa primeira sessão.
já sei que o novo filme de peter jackson não terá o valor sentimental de uma adaptação tolkieniana, mas pj é um entertainer de primeira linha e se o mais famoso caso de amor interespécie não mexer com o seu coração, sente e aprecie uma história contada por quem tem um exército chamado weta para o ajudar.
o dia de estréia não foi lá essas coisas nos estados unidos, mesmo com as ações de publicidade mais mirabolantes já vistas (1 2). fala-se, porém, que o filme terá vida mais longa nos cinemas do que o blockbuster padrão, que depende da bilheteria do primeiro fim de semana para se pagar.
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