fabián bielinsky r.i.p.
morreu ontem em são paulo, aos 47 anos, o diretor argentino famoso pelo ótimo nove rainhas.
seu último filme, el aura, está para estrear por aqui e já estava na listinha must-see há muito. triste.
morreu ontem em são paulo, aos 47 anos, o diretor argentino famoso pelo ótimo nove rainhas.
seu último filme, el aura, está para estrear por aqui e já estava na listinha must-see há muito. triste.

a capa original e a capa “miorada”
“acho q a carapulsa servil pra vc”

tarantino deve ter visto a primeira e segunda parte e não falou nada. eli roth, seu pupilo, deve ter assistido a pusher 3 e ficado na miúda.
a trilogia do diretor dinamarquês nicolas winding refn está pedindo passagem com o lançamento da caixa no reino unido e começa a subir à superfÃcie depois de alguns anos escondida em pequenos festivais e sub-lançamentos em cinema e dvd.
os três filmes se passam em copenhagen e circulam pelo submundo do crime (sim, ele existe) da capital dinamarquesa. têm basicamente um núcleo definido de personagens, mas são, e esta é a maior virtude desta trilogia, três filmes muito diferentes.
pusher, o primeiro, de 1996, narra a descida ao inferno de frank, um dealer peixe-pequeno, que, no momento que está fazendo sua venda mais audaciosa, é pego no flagra pela polÃcia e tem que se desfazer de toda droga antes que pudesse efetuar a transação.
a partir daà segue-se uma cadeia de tentativas de repor o dinheiro devido à um dos drug overlords de copenhagen, o sérvio milo. todas, você deve imaginar, dão errado e vão afundando frank cada vez mais na lama.
pusher se assemelha muito à laranja mecânica de kubrick, no que se divide em duas partes: a primeira mostra o herói frank, o malandro bon vivant, passando pequenas quantidades de droga pela cidade, indo com seu amigo tonny em bares e bons restaurantes, contando piadas, freqüentando festas legais, seu possÃvel relacionamento sério com uma prostituta de luxo. na segunda, frank visita os mesmos lugares, mas a situação é completamente outra: no bar em que antes bebia com tonny, agora ele o surra com um taco de baseball, o lugar onde ele ia pegar a droga é aonde ele é torturado…
não existe, porém, nenhuma mensagem moral rápida e direta, como refn faz questão de enfatizar com o seu final em aberto. da mesma forma que kubrick tentava afirmar a natureza do homem pelo seu poder de escolha em laranja mecânica, o filme deixa frank num carro parado, com pelo menos dois destinos possÃveis.
as duas seqüências, filmadas uma atrás da outra entre 2004 e 2005, foram feitas depois da má recepção generalizada do seu filme de médio orçamento medo x. e são ainda melhores que o primeiro.
pusher 2 é a história do ex-comparsa de frank, tonny, anos mais tarde. recém saÃdo da cadeia, tonny vai trabalhar com seu pai, um chefe de quadrilha de roubo de automóveis que não demonstra nenhum tipo de laço emocional com o filho mais velho, mas que venera seu filho temporão, do qual tonny nem sabia da existência até aquele momento.
alienado por anos de afastamento e visivelmente debilitado pelo vÃcio de heroÃna, não leva muito tempo para ele começar a pisar na bola.
acaba se envolvendo com “the cunt”, um dealer de quinta categoria que o convence a ajudá-lo a esconder de um parceiro anônimo uma venda que não deu certo, forjando situações para encriminar uma quadrilha árabe. diferente do primeiro filme, pusher 2 chega a um tipo de desfecho e não é bonito.
pusher 3 é quase um genre movie e faz aqueles quinze minutos de tensão de o albergue parecerem filme da disney; haja estômago. mas não vá pensando que é por isso que o terceiro é o melhor filme.
o personagem principal é, assim como no segundo, alguém que já havia aparecido anteriormente na trama, só que agora colocado sobre o microscópio. milo, o drug overloard sérvio, aparece aqui anos mais tarde, mais velho e abatido, tentando desesperadamente se livrar do vÃcio da heroÃna e cocaÃna.
a primeira imagem de milo numa reunião dos narcóticos anônimos já serve para desmontar a idéia do impiedoso chefe de quadrilha e o que realmente se vê é o poder do tráfico mudando de mãos em copenhagen, com grupos de várias novas etnias operando em paralelo.
minha cena favorita dos três filmes está neste terceiro. é quando milo é confrontado por sua filha pela porcentagem que o seu noivo receberá quando for trabalhar com ele; ela quer dar as cartas, dominá-lo.
à milena, a filha única, foi dada uma vida de princesa e, ao que parece, o mais distante possÃvel do negócio sangrento do pai. mas naquele minuto, milo, um dealer em fim de carreira (trocadilho não intencionado) que procura algum tipo de redenção, senão pelo seu ofÃcio pelo menos através da cura do seu próprio vÃcio, descobre que a filha vai ser pior, muito pior do que ele.
talvez a menção ao tarantino não tenha sido as melhores para começar este post. a trilogia de refn parece mais um o poderoso chefão em versão comunidade européia, anos 00.
a caixa zona 2 sofre pela baixa aposta do estúdio. com apenas dois dvds, as duas seqüências estão apertadas num só disco, o que não deixa espaço para uma trilha 5.1 nem para making-of. estes aparecem no primeiro filme e são bem cuidados.
pusher 2 e 3 também estão sutilmente mais comprimidos do que o primeiro filme, e, sendo filmes com várias cenas noturnas, deve atrapalhar quem for ver o filme em hdtv (e for chato com esse tipo de coisa). os três filmes têm trilha de comentário do diretor.
os filmes estão agendados para estréia juntos em alguns cinemas americanos neste verão, com o lançamento do box em dvd zona 1 logo depois.

nove da noite, ainda no trampo.
dá pra abrir no excell e fazer a planilha? sim. dá pra escrever um applescript básico? sim. dá pra abrir o terminal e fazer no bash? sim, mas dá uma preguiça…
daà você lembra que o quicksilver é o seu amigo na procrastinação!
ps. e olha nego pirando na interface do bichinho.

entre os 4 álbuns que a pixel desovou nas bancas e o lançamento do spin-off do hellboy, b.p.d.p., pela mythos, este foi o mês que eu mais gastei com quadrinhos (não por mera coincidência, todos são da dark horse comics, a editora americana mais bacanuca, imho). prova do crescimento da cultura do hq no paÃs, talvez pelo hq ter sido terreno fértil para as adaptações cinematográficas nos últimos anos.
não dá pra reclamar dos lançamentos nacionais, a qualidade está quase que impecável - a pixel deu visivelmente uma melhorada na qualidade de impressão e “localização” nesta última leva, os preços estão justos.
só dá pena que o formato álbum esteja se consagrando, ao invés do lançamento em partes. a compra semanal de episódios faz parte da cultura hq e também permite um certo grau de seletividade, não gostou do rumo da história, começa a comprar outro tÃtulo…