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sexta, 15 de setembro de 2006

tv digital .br

da coluna outro canal do caderno ilustrada da folha de ontem (cujo link eu não consegui achar no site da folha/uol já que nunca consegui fazer uma senha de assinante pelo firefox):

a tendência [com a tv aberta digital] é o fã de determinados programas, que os gravam para rever inúmeras vezes, ser punido por causa do combate à pirataria (…) uma das prioridades das redes agora é adotar no brasil um dispositivo que impeça o telespectador de fazer cópias de programas. “podemos permitir que o telespectador grave e reveja uma única vez”, diz o executivo [diretor-geral de engenharia da globo].”

isso é uma precaução boba que a princípio visa proteger a comercialidade da programação da tv aberta em formatos como o dvd, mas que na verdade mata um dos maiores trunfos da tecnologia da tv digital sem necessariamente oferecer uma afronta real ao comércio informal dessa programação.

o mercado de dvd original e de dvd pirata são muito diferentes no brasil, com consumidores diferentes.

quem compra o dvd original está atrás de boa qualidade e do conteúdo extra, além do fator memento - o dvd é um souvenir de um filme ou série de que se gosta. quem compra o pirata só quer assistir a um filme famoso.

na coréia do sul, por exemplo, vende-se o dvd normal por um preço e o vcd por outro mais barato. aqui no brasil estão sucateando o dvd original, tirando o conteúdo extra, para ganhar mais dinheiro em cima de um lançamento e insatisfazendo o público alvo que está justamente atrás de qualidade.

agora, com a tv digital, vê-se que a cabeça dessa indústria ainda não mudou - colocar drm que impeça o espectador de assistir mais de uma vez um programa de tv gravado é supor todo espectador pode virar uma fábrica de dvds piratas só porque a qualidade da imagem é boa. ou que alguém que já optou por pagar 150 reais na caixa de uma temporada do lost ao invés de baixar a temporada num torrent por virtualmente grana nenhuma (ou quiçá pagar 15 reais na banca do camelô) vai mudar o seu comportamento com o advento da tv digital. é muita falta de visão!

# 01:39 · comente (6), arquivado em ciência & tech
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discussão

Ótimo post caro Spiceee (sou amigo do 8bits e acompanho um tempo seu blog). Isso é uma tecla que eu tenho batido já a algum tempo. Tem sido muito mais fácil a indústria forçar atitudes que vão completamente contra a lógica e a proposta das novas tecnologias - como a serialização, cópia, remix, distribuição etc. - do que repensar o meio e desenvolver um modelo de negócio (já que querem de qualquer forma ganhar dinheiro e lucros abismais) que se aproveite, utilize e seja pensado nessa nova realidade. Atitudes retrógradas que me fazem lembrar a era do tacape, onde você metia uma pancada na cabeça da sua amada para ter posse do que é seu.

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Rodrigo Morbey
15/09/2006 @ 10:54 - #

isso sem falar no dano que isso traz ao lado social da tv digital, tão alardeado pelo governo lula - programas como telecurso, globo repórter e outros que poderiam ser gravados para exibição em escolas públicas estariam atrelados a essa trava de drm.

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Spiceee
15/09/2006 @ 13:39 - #

Toquei nesse assunto ontem, nesse post:
http://www.brainstorm9.com.br/archives/2006/09/piracy_killing.html

Mas não soube me expressar tão bem quanto. Linkei lá.

abs

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Carlos Merigo
15/09/2006 @ 14:09 - #

Fala Merigo, eu tinha visto essa no Brainstorm#9 ;)

Sabe o que me lembrou na hora? Aquela propaganda que passa no cinema, antes de se ver os trailers, falando algo como: “você roubaria um carro? Pirataria é crime”. Uma propaganda que me faz sentir mal, principalmente pela forma exagerada e superficial com que ela se mostra. Ela faz comparativos de dois “mundos” completamente diferentes! Não sou nenhum maluco que acha que a internet deve ser um liberalismo explícito, só que está na hora de conviver com mudanças. Adaptação nunca foi fácil para ninguém.

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Rodrigo Morbey
15/09/2006 @ 14:35 - #

O problema é que produtoras e gravadoras querem o lucro monstruoso. Cobrar de 25 a 30 reais por um material que mal chega aos 3 de custo(caso do CD)só empurra o povo pro camelô da esquina, que agradece embevecido. Os próprios artistas não estão nem aí, defendem a luta contra a pirataria por força de contrato, pois o grosso da grana vem dos shows e não dos centavos que eles ganham por CD vendido. O único que enriqueceu com isso foi o Alexandre Pires, que ganha 1 real por CD do Só Pra Contrariar e vendeu 6 milhões de cópias. Mas porque ele foi esperto e exigiu isso em contrato.
Uma conhecida minha, dona de locadora, me disse que paga de 80 a 150 reais por um DVD, cuja única diferença do que é vendido nas Americanas por 49 reais, é uma tarja na capa que diz: “Somente para locação”.
Ela só não compra na loja porque tem medo de represálias. Pois eu disse pra ela que NUNCA tinha reparado no tal aviso, e duvido que alguém tenha notado. Afinal, as pessoas querem ver o filme, a capa é o de menos.
Enquanto essa mentalidade obcena não mudar, continuaremos enriquecendo o camelô.

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Edson
15/09/2006 @ 22:18 - #

E você já viu quando colocam essa vinheta em DVDs, Rodrigo?

Nem deixam pular, desativam o botão de menu do DVD Player (pelo menos no meu não funciona). Nos obrigam a assistir.

Nisso que você falou, vale ler a matéria de capa da Wired desse mês: “The Rebirth Of Music”
http://www.wired.com/wired/archive/14.09/musicintro.html

abs

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Carlos Merigo
18/09/2006 @ 16:49 - #

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