palpites do oscar 2007
o dia já começou com uma decepção: o a dama da água não levou o pior filme do ano no framboesa de ouro. mas vamos lá:
- filme: babel ganha, o mais fraco dos concorrentes na categoria
- diretor: clint eastwood (cartas de iwo jima)
- ator: forest whitaker (o último rei da escócia), muito embora eu tenha gostado mais do ryan gosling em half nelson, um dos melhores filmes do ano √
- atriz: helen mirren (a rainha), kate winslet também merecia, a melhor coisa do morno pecados Ãntimos √
- ator coadjuvante: eddie murphy leva pelo chato dreamgirls, provando que o mundo está de ponta cabeça
- atriz coadjuvante: jennifer hudson (dreamgirls) √
- filme estrangeiro: o labirinto do fauno (talvez o melhor filme na premiação)
- roteiro original: pequena miss sunshine √
- roteiro adaptado: os infiltrados √
- edição: vôo united 93
- edição de som: apocalypto
- maquiagem: o labirinto do fauno (dá pra acreditar que tem um filme do adam sandler concorrendo ao oscar nessa categoria?) √
- mixagem: dreamgirls √
- efeitos especiais: piratas do caribe: o baú da morte √
- figurino: dreamgirls
- fotografia: o ilusionista
- trilha sonora: alexandre desplat (a rainha). o cara é incansável: ano passado foi syriana, o retrassado, rebirth. sempre perfeito.
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dentistas, decidam-se!
afinal de contas, vocês usam sensodine ou colgate total 12?
façam uma votação no simpósio mais próximo e avisem os publiciotários. os telespectadores agradecem.
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cloud atlas
“I swear, Sixsmith, that warty old Shylock looks more repulsive every time I clap eyes on him. Has he got a magical portrait of himself stashed in his attic, getting more beautiful by the year?”
David Mitchell, Cloud Atlas
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quase!
é incrÃvel o papel da serendipidade no carnaval se acreditarmos nos depoimentos dos famosos (e dos nem tanto) aos repórteres que cobrem os desfiles de escolas de samba. sempre rola um “quase”: “eu quase não consegui desfilar”, “a fantasia quase não ficou pronta”, “o carro quase que não entra na avenida”…
são tantos os vilipêndios do acaso que me admira que o evento consiga acontecer todos-os-anos!
mode sarcástico elevado ao defcon 1. os arquivos do blog (1 2 3) deixam claro que ele sempre aflora nesses dias do ano.
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risco de radiação
ao avistar um pirata e uma nave espacial emissora de raios magnéticos, saia pela direita.
ou talvez o novo sÃmbolo de radiação da onu.
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machine tags
o flickr oficializou o uso de machine tags no site. os usuários vão poder colocar um namespace nas tags de suas fotos, ou seja, vão ter como contextualizar do que está se falando quando criam tags.
uma foto “taggeada” com são paulo, por exemplo, pode ser uma foto da cidade são paulo, de algum evento na cidade de são paulo ou até de uma estátua de um santo. com machine tags a confusão fica bem limitada, uma vez que você pode especificar do que está falando.
tenho certeza que o flickr, que modificou bastante a estrutura de banco de dados do site para melhorar o suporte ao feature, vai encorajar o uso indiscriminado das tags, mas deve “entender” mesmo somente um número pequeno delas.
eu estou trabalhando numa aplicação que também gira em torno das machine tags e pensei muito se a melhor maneira de criar um frontend para elas fosse simplesmente deixar o usuário digitar algo do tipo “upcoming:event=81334″ num campo de texto.
o nome, afinal, é machine tags e elas, querendo ou não, têm um mark-up pré-definido para que uma máquina entenda a informação no fim do processo. seria então mais fácil esconder esse mark-up no backend e criar uma interface gráfica tipo click-drag-pull?
depois de matutar um pouco cheguei a um meio termo: criei uma espécie de tooltip que é acionado a medida que algo que pareça uma machine tag dentro do escopo da aplicação é digitado e dá a quem está inserindo a tag uma confirmação visual que é aquilo realmente que se quer dizer.
desse modo, eu não preciso esconder certas tags do usuário nem forçá-lo a aprender uma meta-linguagem a fim de se escrever uma simples tag “folksonômica”.
vai ser interessante ver isso se proliferando por aÃ. sei que qualquer pessoa que escrever uma implementação de machine tags vai esbarrar no mesmo problema.
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matemática moderna
axioma #23: a quantidade de post-its, reminders e demais papéis afixados por uma pessoa na sua baia é inversamente proporcional à quantidade de trabalho que ela está realmente realizando.
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grizzly bear - knife
o último álbum do grizzly bear, o yellow house, é trilha sonora oficial das madrugas programando em rails. um folk meio cabeça, psicodélico, sem a presunção de se agarrar a esses novos rótulos tipo indie folk, electro-folk, etc.
agora, com a première do video de knife que o stereogum fez, tou achando que os caras são realmente ruins da cabeça! faz tempo que não vejo clipe tão legal.
a versão acústica e andarilha da mesma música pelas ruas de paris é outro clipe tão bom quanto o oficial.
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basictonalvocabulary 




os desavisados, que pegam o bonde no último ponto e querem ir na janelinha, devem lembrar que esse negócio de techno tem história e ela é, como toda história, cÃclica, tende a se repetir.
pode-se dizer que a onda de repúdio ao minimal é, salvo as proporções (esse negócio de música eletrônica cresceu um tanto), algo bem parecido ao que rolava com o detroit techno alguns anos atrás.
era talvez até mais pontual dado ao fato que o estilo então era a música vinda de um lugar só - era como se o minimal, vejam só, se chamasse “berlin techno”. se você não era de berlin, você não fazia berlin techno, ganhava muitas frações a menos que os djs de lá e definitivamente não podia andar na janelinha do bonde do berlin techno. você, dj inglês suburbano, era um cocô.
os djs de detroit faziam fortuna e monopolizavam as grandes festas de techno da europa no apogeu do estilo. época que o menino surgeon lançou uma trinca bombástica de álbuns: este basictonalvocabulary (em 97), balance (de 98) e o force+form (em 99) - este o álbum que ajudou a definir o techno percussivo que 9 em 10 produtores iriam fazer nos os anos seguintes.
basictonal (para resumir) é o álbum mais desengonçado dos três, mas o que ainda me intriga até hoje.
a falta de formosura em cada track (e no álbum como um todo) pode ser justificada pelo fato de menino surgeon falar a todos os cantos (discurso que mantém até hoje, até onde sei) que o detroit techno é algo supervalorizado. muito bem, mas como explicar o clima jeff-millsiano que habita as ambiências de todas as faixas do disco?
é uma dicotomia falsa, provar a regra pela exceção quando uma não desqualifica imediatamente a outra.
mesmo assim, basictonal tem mills que não podia ser feito por mills, um olhar para a frente, uma bagunça com certa atenção à textura do som e à qualidade do mix final que não se via muito em detroit e que bem pode ter sido o seu fim, uma vez que o mundo do techno foi invadido por adolescentes europeus mimados com seus super estúdios e uma destreza inacreditável em suas equalizações.
o álbum tem uma consistência difÃcil de se achar por aÃ: é um trabalho em que a única constante é a vontade de fazer techno dançante com barulhos que formam um unidade entre si. não existe break nem tampouco apelo de pista, mas também não existe viagem, muito menos improvisação.
depois do sucesso de force+form, que colocou o elemento percussivo no mapa e lançou surgeon numa série de eps pelo selo counterbalance (esses que foram até hoje o maior crossover da sua carreira- quem não dançou la real?), o som do menino foi realmente se distanciando das influências de detroit e foi beber na veia punk da cena de birmingham, criando uma espécie de hÃbrido techno-ebm popularizado pela dupla com seu chapa regis, os british murder boys.
o mérito de surgeon, como de todo bom artista, é de se repetir até o ponto de cansar e, sem aviso, pular para outra fase. nada tem o virtuosismo analógico de 9 hours into the future ou a 303 acachapante de scourn; o casamento entre o tranqüilo e noiado de first.
agora que a passagem do bonde surgeon pelo brasil está mais uma vez confirmada, é de se sentar e ouvir basictonal com ouvidos frescos. e, quem sabe, garantir uma janelinha.
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