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sexta, 28 de setembro de 2007
spook country
“He was, basically, a DJ. Or DJ-like, in any case, which was what counted. His day job, troubleshooting navigational systems or whatever it was, made a sort of sense too. It was, often as not, the wonk side of being DJ-like, and often as not the side that paid the rent.”
William Gibson, Spook Country
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quinta, 27 de setembro de 2007
calvaire 




calvaire (the ordeal) é supostamente uma homenagem do belga fabrice du welz cinema de horror americano, o estreante diretor quis juntar a áura de tensão de filmes de hitchcock, psicose em especial, e a estética árida e cruel de o massacre da serra elétrica.
o filme acaba sendo muito mais pesado e difÃcil do que os homenageados, mas nem tanto pelo efeito açougue. o que o livra de ser somente um incômodo visual é a carga dos personagens de welz; são sujeitos fronteiriços, entre a neurose e a psicose, que, apesar da monstruosidades que fazem, mantém uma caracterÃstica humana todo o tempo. welz diz querer inverter os papéis dos genre movies, e fazer com que a audiência sofra pelo algoz e não pela vÃtima. consegue isso até certo ponto - todos em cena são pessoas falidas de uma forma ou outra, fica impossÃvel não se sensibilizar com ambos os lados.
a história é a clássica andarilho perdido em cidade pequena. marc stevens é um cantor fracassado que vive dirigindo sua vã de show em show. ele é pior que cantor de churrascaria, o filme abre com um show dele num asilo de velhinhos uma semana antes do natal. entre um show e outro, ele pega uma estrada errada e se perde em meio a um temporal. acha um vilarejo, uma pousada e dorme a fim de seguir viagem no dia seguinte. o dono da pousada, com a desculpa que a van precisava de uma peça, começa a manter marc na cidade, e ele, que tinha um show de natal, começa a se desesperar.
marc vai percebendo que existe algo estranho no local, não existe nenhuma mulher. quando ele nota que o dono da pousada está sabotando sua saÃda e mexendo em sua mala, marc leva um soco e começa a ser tratado por glória, a suposta ex-mulher do dono da hospedagem. sentiu o drama?
welz vai baixando o véu de normalidade de seus personagens trocando enquadramento e luz, as influências do dogma ficam bem claras. ninguém na cidade é o que parece ser e eles mesmos não reconhecem algo por aquilo que ele realmente é. um andarilho que procura por um cachorro por metade do filme, aparece com um novilho e o trata como o cachorro perdido, do mesmo jeito que marc é agora glória. a cidade mesmo vai adquirindo ares surreais, distantes da realidade.
o próprio nome do filme carrega uma simbologia que welz faz questão de mostrar. calvaire tem meia dúzia de cenas que, se o filme fosse mais visto, se tornariam clássicas. se perguntado, eu diria que, junto com the descent, é um dos candidatos a Ãcones do gênero dos anos 00.
a fotografia de calvaire foi assinada por benoit debie, o mesmo de irreversÃvel, e deve ser melhor do que é retratada no dvd. a imagem é boa, mas não tão nÃtida quanto poderia. sendo um filme aparentemente capturado digitalmente, é bem capaz de receber melhor tratamento num dvd futuro.
o som se distribui bem pelos 6 canais, mas o filme é bem intimista nesse aspecto, a trilha musical é quase inexistente e a sonora não tem efeitos para causar susto; welz prefere usar o relinchar de porcos em algumas nas cenas mais importantes, um dos elementos mais estranhos do filme.
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quarta, 26 de setembro de 2007
vai lá brasil!
eu não consigo entender o torcismo (isso existe?), o termo que (acho que) inventei para chamar essa capacidade do brasileiro de alegorizar tudo como copa do mundo.
um dos torcismos que mais me irrita é esse do oscar. gastam tanta energia se remoendo com o fato do brasil nunca ter trazido um oscar pra casa, nunca ter sido “campeão mundial do oscar”, e eu fico me perguntando de onde surgiu a analogia.
não existe uma fifa do oscar, um órgão que ranqueie paÃses e diretores (ou seriam jogadores) melhores do mundo. o diretor que leva mais oscar nunca foi chamado de artilheiro. o galvão não narra o oscar; o arnaldo coelho não analisa a arbitragem. não existe ninguém que apite o empedimento quando o prêmio é dado erroneamente, não tem gente segurando cartaz “filma eu”.
por que então, cristo rei, as pessoas vestem camiseta da seleção pra assistir o oscar na tv?
agora existe uma comoção pela escolha, tida pela massa como errada, do filme o ano em que meus pais sairam de férias para ser o representante/time brasileiro no oscar do ano que vem. a torcida organizada queria o tropa de elite e estão tão putos quanto uma escalação que deixou de fora o craque preferido.
ora, o oscar é um prêmio americano, sustentado pela própria indústria americana que, numa tentativa de parecer menos egocêntrica, joga, numa categoria só, toda a produção mundial de cinema, esta provavelmente de um nÃvel bem superior à americana.
não existe razão para torcismo, o prêmio vai sair um dia e vai ser mais por uma série de fatores, incluindo o bater de asas de uma borboleta da tasmânia, incluindo o mérito do filme mas não tão somente ele.
não sou o antiufanista, só tenho medo do que está por vir se o brasil ganhar o oscar ano que vem. e o que seria? a busca pelo bicampeonato!
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halo 3
é só do que se fala por aÃ, o lançamento do halo 3.
estou por fora dessa vez. muito embora quisesse comprar um 360, optei pelo ps3 por dar menos defeito (estimados 33% dos consoles xbox 360 vão parar em menos de um ano por superaquecimento da placa-mãe). sabe como é, assistencia técnica de games no brasil é complicada. aliás, o mercado de games no brasil é complicado como um todo.
sem ter acompanhado as primeiras impressões do jogo e se ele realmente corresponde à espectativa, o que fica é a idéia que a microsoft inventou o blockbuster game, pelo menos no mundo ocidental.
sem diminuir o trabalho da bungie, que é fantástico, inovador e tem se mantido consistente, acho que o mesmo marketing poderia ser aplicado à outros games com certo grau de sucesso. marketing de jogo (e não de console) ainda é bem pouco explorado, o boca a boca ainda é a mÃdia de divulgação mais usada e faz sentido: as pessoas tendem a concordar menos sobre o que faz um filme bom do que sobre o que faz um jogo bom - o tempo para completá-lo (mais é melhor, até certo ponto), a qualidade dos gráficos, a jogabilidade e a vontade de jogá-lo outra vez quando terminado.
existe muita mÃdia especializada em games nos eua, e todo tÃtulo sai com campanha própria, hotsite e o caramba. mas nunca o que a microsoft fez com o halo 2 e 3.
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terça, 25 de setembro de 2007
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burst city 




no começo dos anos 80, sogo ishii era um jovem diretor em tóquio vindo de uma boa experiência com curtas de faculdade e um discreto sucesso de crÃtica e público em alguns longas. filmava no cabresto para uma indústria japonesa que já começava a ir para o vhs (dando origem ao v-cinema), quando os blockbuster americanos tomaram quase que por completo as salas de cinema japonesas e empurraram a produção doméstica para as locadoras.
inconformado em ser tolhido na direção, ishii conseguiu um financiamento e decidiu chutar o pau da barraca com esse burst city, um retrato do movimento punk japonês com suas bandas favoritas, yakusa (elemento indispensável dos filmes da época) e tudo que era cool de se ter num filme dos anos 80: glitter gel e mercenários pós-apocalÃpticos.
é tentador dizer que é o mad max japonês, mas seria completamente errado.
o cenário de burst city gira em torno de um lixão suburbano habitado por punks e outcasts em geral - gangues de motoqueiros, mercenários pós-apocalÃpticos (é, são muitos!), cafetões e prostitutas - e transformado numa área de divertimento barra-pesada. por algum motivo, a yakusa quer construir um conjunto habitacional ali e está usando trabalho escravo de quem conseguir capturar.
nada mais interessa saber do enredo, ele não vai muito mais além disso. entre uma noite e outra no lixão e nas highways infinitas que rodam esse japão futurista, ishii arma guerra entre bandas que disputam os palcos na porrada, rachas entre gangues de motoqueiros, dancinhas coreografadas e policiais-robôs que parecem saÃdos de um show do daft punk. tudo com o melhor j-punk na trilha sonora.
como filme, burst city não é lá essas coisas. é muita gente em cena, o foco se perde entre acompanhar o dia a dia das bandas e mostrar as disputas polÃticas da yakusa, com mais um ou outro sub-enredo de personagens que não são necessariamente importantes para a trama.
no entanto, a história é periférica e funciona porque todos sob as câmeras são sem nenhuma esperança. os outcasts retratados por ishii habitam a negação da normalidade japonesa representada pelos punks do inÃcio dos 80, portanto pouco importa o que esteja acontecendo entre uma gig e outra, ou, desconfio, se era filme ou realidade.
burst city funciona melhor como um mega-clipe que retrata um pedaço da cultura japonesa que poucos ocidentais tiveram conhecimento e que o japão da época pouco queria mostrar, com uma linguagem cinematográfica inédita que seria depois copiada no cinema de shinya tsukamoto (tetsuo ironman, o clássico do shock-cinema japonês, é absurdamente derivativo dos enquadramentos de ishii no filme) e takashi miike, dois dos maiores cineastas japoneses da atualidade.
o dvd é bem cuidado e lançado pela nova distribuidora discotek. a imagem e o audio estão bem restaurados - para um filme que deve ter ficado um bom tempo perdido sabe-se lá onde, é um grande feito o que conseguiram alcançar.
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segunda, 24 de setembro de 2007
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¿quién puede matar a un niño? 





o diretor de ¿quién puede matar a un niño?, narciso ibáñez serrador diz, num momento da entrevista incluÃda no recém lançado dvd americano, que se pudesse mudar algo no seu filme de 78, passaria a introdução, uma série de imagens de acervo das grandes tragédias da história moderna em que se matou centenas de crianças inocentes, para o fim do filme.
eu acho que seria um erro. o tema de ¿quién puede matar a un niño? é estabelecido desde o primeiro segundo de tal introdução e é só reafirmado nos primeiros vinte minutos do filme, seja pelas tais imagens histórias, pelo diálogo de personagens, ou pelo próprio fato do casal inglês que protagoniza o filme estar esperando o primeiro filho: as crianças são as que mais sofrem com a discórdia dos adultos.
pois bem, isso nos primeiros vinte minutos. porque o choque acontece quando o filme reverte aquilo que é esperado dele em uma só cena. não são as crianças que vão sofrer inadvertidamente durante o decorrer do filme, e sim os adultos.
quién puede segue um jovem casal inglês em sua aparente lua de mel (a mulher já está grávida, o que dá a entender que foi um casamento à s pressas) por uma cidade turÃstica espanhola. o marido está visivelmente numa cruzada para mostrar, com orgulho, um pouco de seu passado à esposa, o que os leva a uma ilha perto da cidade onde estão, onde ele serviu como oficial do exército inglês aguns anos antes.
é alta da temporada e a cidade, lotada, é uma armadilha para turistas. o fato de dois corpos terem sido achados na beira da praia, supostamente mortos por afogamento, não chama nenhuma atenção especial das autoridades e tampouco do casal inglês, o marido louco para chegar na ilha da qual tem tantas boas lembranças, a mulher, grávida e enjoada, louca para sair do burburinho em que se encontra a cidade.
a cena vital do filme ocorre quando os dois chegam à ilha e o marido, talvez querendo provar para a mulher que vai se tornar um grande pai, quer ser simpático com um menino pescando no ancoradouro. o marido coloca a mão no ombro do menino e faz um comentário engraçadinho e a criança responde com tal raiva que qualquer ser humano normal pegaria o barco de volta ao litoral. só para provar o quanto o filme mudou de rumo, nenhum adulto é encontrado na ilha. tudo está às moscas, com a eventual criança passando de um lado para o outro.
é impossÃvel falar mais do enredo sem entregar o filme, mas o que tem que ser dito é que o roteiro é absolutamente perfeito. todas as crianças da ilha se entregam em atuações aterrorizantes, mesmo que os adultos deixem um pouco a desejar. a fotografia de josé luis alcaine, que depois se tornaria o cinematógrafo oficial do almodóvar, é feita toda de dia, o que, em se falando de filmes de terror, torna o filme ainda mais especial.
a dark sky, pequena distribuidora que foi atrás da versão original do filme mutilado e lançado nos anos 70 nos estados unidos como island of the damned, fez um trabalho de restauração magnÃfico, a imagem do dvd é impecável.
tenho recomendado o filme a todos os amigos que gostam de filmes de terror, quién puede é quase um elo perdido do cinema europeu que deve ser visto a qualquer custo. depois de vê-lo e revê-lo é que consigo entender a invasão atual do terror espanhol.
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sexta, 21 de setembro de 2007
greve do correios
a greve dos correios terminou hoje à noite, mas o que não vejo escrito por aà é que todo remetente que teve sedex 10 ou sedex hoje entregue depois do prazo estipulado tem o direito de ligar para o 0800 dos correios com o número de rastreamento na mão e reclamar sua multa, que é, por contrato, duas vezes o valor da postagem. é uma grana.
em mais ou menos 15 dias, chega um papel na sua casa avisando que você pode passar em tal agência do correio (geralmente uma perto do endereço do remetente) e retirar a bufunfa em espécie.
serviço ao cidadão, a gente vê por aqui.
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semana do filme esquisito
semana que vem vou fazer algo que bolei para me livrar de todas as pendências de resenhas de dvd que eu achava que precisava fazer: (rufar de tambores aqui) a sensacional semana do filme esquisito!
é lógico que muito provavelmente os filmes só interessam a mim mesmo e vou afundar ainda mais meu pagerank, technorati rank e todas as outras metragens de popularidade da blogosfera.
é uma resenha por dia. nenhum dos dvds, até onde vai meu conhecimento, saiu no brasil.
todos eles são comprados legalmente, até porque em sua maioria são de distribuidoras pequenas americanas e eu reverencio o trabalho dessas pessoas - os selos mom and pop de dvds americanos têm tal cuidado com a qualidade e a restauração de filmes pouco conhecidos (mas não de menos mérito) que o mÃnimo que se pode fazer é pagar o preço do dvd.
a semana do filme esquisto começa (rufar de tambores aqui) no domingo.
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revista da semana
finalmente alguém entendeu o recado e formaliza a snack media como revista semanal. a revista da semana da abril é exatamente aquilo que diz que é, um update rápido dos assuntos mais importantes da semana.
muita coisa é redundante para quem se mantém informado pela web, jornais de tv ou impressos e a revista pouco tenta fazer uma análise dos fatos - quando o faz é mais na forma de clipping do que foi falado em jornais, posts e comentários em blogs (pasme estadão!).
mas, para os info-junkies que sempre acham que perderam alguma coisa, é a veja sem as 50 páginas de anúncio.
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quinta, 20 de setembro de 2007
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quarta, 19 de setembro de 2007
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terça, 18 de setembro de 2007
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facebook javascript
por que você precisa fazer uma versão estupidificada do seu site para rodar dentro do facebook usando tecnologia que, por sua vez, é uma versão estupidificada de outras tecnologias mais coerentes por ter um espectro de atuação muito maior do que um só site da internet?
depois do html e do sql, a versão estupidificada da vez é o javascript, que virou fbjs, ou seja, facebook javascript.
reconheço a necessidade de se estar presente lá, uma vez que o site cresce rapidamente e tem um público que pode adotar uma aplicação facebook muito mais rapidamente que uma aplicação “solo”. mas é preciso apontar para os perigos dessa aplicação: a centralização e customização de serviços que o facebook gosta tanto pode chegar à um ponto que o serviço comece a ditar como os browsers vão poder interpretar o seu código.
lembre-se que o facebook é uma empresa ainda “independente” mas na mira de vários grandes conglomerados pela sua crescente base de usuários. portanto tem futuro incerto, um passado bem obscuro (o dono da empresa é acusado de roubar partes do código de seus antigos colegas de universidade) e ultimamente vem demonstrando ter uma polÃtica de segurança deficiente, códigos fontes da aplicação têm vazado na internet.
vejo empresas adotando o facebook tão completamente, criando verdadeiras novas versões das suas aplicações e baseando suas estratégias numa plataforma proprietária que pode, a qualquer momento, ser comprada pela microsoft e ser “portada” para rodar somente no ie.
fico preocupado com o facebook aglutinando serviços, porque é a contra-mão da web 2.0: um site fechado, não semântico, não indexável, aleijando tecnologias amplamente utilizadas e de domÃnio público e as lançado como facebook qualquer coisa.
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segunda, 17 de setembro de 2007
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sábado, 15 de setembro de 2007
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sexta, 14 de setembro de 2007
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