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quinta, 19 de março de 2009

o tal do mimimi

uma celebridade topa ganhar um para divulgar suas impressões sobre um serviço na sua conta do twitter. algumas pessoas acham isso ruim, que isso mistura “conteúdo editorial” com propaganda, algo discutível pelo veículo ser algo tão novo como o twitter, mas compreensível visto que é um modo de se vender um produto que até então não existia.

é como se tivéssemos televisão sem intervalos por anos e tivéssemos nos acostumado com esse formato e de repente começam do nada as inserções pagas por entre os programas. é fácil de entender por que as pessoas reagem assim, é razoável.

agora, o que não dá pra entender é a outra parte das pessoas que apoiam incondicionalmente o novo negócio e acham um absurdo a reação negativa. o argumento dessa parte é algo tão profundo como o bordão mais usado em perfis do orkut desse lado do planeta, “sua inveja fará minha fama”.

sério, isso não é inveja. inveja seria se quem reclamasse fosse outra celebridade com o mesmo número de followers da pessoa em questão e teria iguais chances de ser recrutado para tal campanha. é reação negativa de quem tem uma opinião diferente sobre um problema que vai além do twitter, aposto que em todo veículo de comunicação existe o dilema do ponto de equilíbrio entre informação de interesse público e publicidade.

será que não dá pra pensar fora da caixa e entender que isso exista sem apelar pro “isso é inveja” ou o “se as pessoas policiassem os políticos como policiam a blogosfera o país seria diferente”? o que seria o ideal? uma audiência apática que aceitasse tudo o que fosse publicado sem emitir nenhum tipo de opinião? a reação, qualquer que seja ela, não é prova que existe gente de verdade lendo o que vocês publicam?

as pessoas normais (as que não trabalham no mundo da propaganda) acham, via de regra, publicidade um troço chato. elas vão no banheiro no comercial, lê-se primeiro a notícia no jornal, para depois passar os olhos nas ofertas. reclama-se de revista que tem muita página de anúncio pago. esse é o mundo real e vocês que trabalham com isso devem sabê-lo melhor do que eu, afinal passam muito tempo analisando campanhas e tentando criar algo que vá além da pura propaganda e que caia no gosto popular. é esse o desafio.

acho o mimimi chato, mas tenho que concordar que eles, por hora, têm um argumento melhor do que o esquadrão anti-mimimi.

# 23:21 · comente (8), arquivado em web
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discussão

ótimo post!

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Eduardo Roberto
20/03/2009 @ 00:35 - #

Sinceramente, o problema real, para mim é o: quando é que deixa de ser a opinião de alguém e passa a ser publicidade. Pois vejo o twitter, blogs, etc. como uma maneira de expressar a opinião, assim como você faz aqui. E se eu leio as opiniões do Spiceee por achar interessantes, vou perder o interesse quando aparecer aqui um: ‘como herbalife mudou minha vida e vai mudar a sua também’ ou coisa parecida, insultante à inteligência de uns e outros, até. Mas todos sabemos que publcidade é um mal necessário. Ninguém estaria afim de sei lá, pagar uma subscription do seu blog favorito, para ter acesso ao conteúdo. A problema vem no balanceamento. Porém a publicidade aggressive perde um pouco de seu poder quando a celebridade diz: ‘A empresa x é ótima, amo de paixão (este foi um comentário pago)’

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Elland
20/03/2009 @ 00:45 - #

assino embaixo.

me dá um pouco de aflição esse espírito de ‘oh, mas q legal, ele se deu bem’ como se fossem filhotes de gato na caixinha pensando ‘que bom, ele foi adotado, quem sabe da próxima vez sou eu’

isso fora a miopia de quem realmente acha que entuchar de propaganda qualquer espaço com o mínimo de visibilidade seja uma ‘grande sacada’.

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eva
20/03/2009 @ 01:31 - #

Mas o lance todo não é a publicidade em si. O que deixou o povo PUTO é para quem ele tá vendendo espaço, justo a Telefonica, a empresa mais histericamente e absurdamente FILHA DA PUTA de todos os tempos. É *isso* que deixou o povo puto. Quem não sacou isso e ficou reclamando só do puro ato de adicionar publicidade é ingenuozinho rebelde-sem-causa que simplesmente foi na onda. O post do Zuardi é bem direto ao ponto:

http://idomyownstunts.blogspot.com/2009/03/dia-triste-unfollow.html

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Jonas Galvez
20/03/2009 @ 10:34 - #

Clap clap clap

Escreveu tudo o que eu gostaria de ter dito ontem mr. Spiceee.

Esta turma do anti-mimimi é uma massa de zumbis deprimente, estes sim podem ser chamados de “seguidores” pois sem ter opinião própria ou capacidade mínima de argumentação se apoiam nos argumentos-corigas de personagem de novela, e nem o trabalho de digitar tem, basta RT o coleguinha ao lado.

Isto tem nome, preguiça intelectual.

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Fabricio C Zuardi
20/03/2009 @ 16:59 - #

Creio que o que causou o mimimi inicial, como disse o Eduardo Roberto, é que muita gente espera encontrar opiniões pessoais e reais ao entrar em um blog ou Twitter.

Artistas como o Marcelo Tas sempre venderam suas imagens para anunciar produtos. Ninguém estranha se hoje a Ana Paula Arósio anuncia a Embratel, amanhã as Lojas Americanas e depois a OI.

Por outro lado, na Internet as pessoas esperam encontrar o Marcelo Tas real, assim como o João, a Maria e o José.

Marcelo Tas mostrou saber bem disso ao se apressar em der explicações e agiu muito bem saindo ileso do evento ao meu ver.

A grande reflexão que fica aqui para quem deseja vender e comprar opiniões é: quanto vale uma opinião que pode ser comprada?

Creio que a tendência é que as marcas aprendam que não precisam mais de celebridades para se comunicar com seus consumidores, elas podem e devem ter seu próprio blog, seu próprio Twitter.

Em vez de comprar blogueiros e formadores de opinião elas devem se concentrar na qualidade que conquistará as opiniões sinceras destes formadores de opinião gratuitamente.

É bem possível que a opinião original e isenta seja um grande valor na futura era do conhecimento e podemos esperar comércios escusos de opinião e grandes escãndalos.

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Roney Belhassof
20/03/2009 @ 18:45 - #

Eu fui um dos que inocentou a ação, até porque não vi nada eticamente errado ali.

Concordo que o argumento inveja é primitivo. Mas a pior parte das discussões sobre post/twitt pago é que as pessoas têm dificuldade em separar o que elas acreditam do que é legítimo fazer. Neste caso específico, é legítimo que uma empresa contrate um profissional para que ele publique em seu espaço editorial notas patrocinadas, desde que esta relação esteja bem clara ao receptor, para que ele, como você mesmo diz, possa ir ao banheiro, pular para as notícias ou achar chato. Por mais que ela acredite que a empresa é ruim, que o profissional é vendido e o escambau, a relação está clara e ela pode “pular” a propaganda com um clique.

Ou seja: as pessoas podem achar a campanha chata, mas ela é legítima. E se é legítima, podemos até começar a discussão de eficiência da campanha ou até do teto de vidro da empresa, mas estamos sabendo que nesta campanha, em específico, ela não fez nenhuma barbárie.

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Luiz Yassuda
21/03/2009 @ 04:09 - #

Roney Belhassof disse bem, quanto vale uma opinião que pode ser comprada? Pra mim, nada. Por isso unfollow.

Assim como deixo de seguir pessoas que só estão aí pra ser ‘emissores de conteúdo’ mas não ligam pra opinião do público comum. Ou que, como acham a idéia boa e vem uma grana alta junto, isso está acima de crítica.

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eva
21/03/2009 @ 13:03 - #

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