quarta, 7 de maio de 2008
the 4th dimension 



consigo entender por que algumas pessoas verão o the 4th dimension e o descartarão como pretensioso: é preto e branco, metade dos créditos são dedicados à consultoria de fÃsicos e, ao fim, muda para colorido.
não sei se existe algum termo para esse tipo de filme, eu chamo de puzzle movie e vai bem com o pi do darren aronofsky e o primer do shane carruth. é sobre jack emitni (”in time” ao contrário), um cara com TOC que acredita que pode sentir a quarta dimensão quando dorme. a história começa com ele pequeno, quando dá sinais de ser um gênio da matemática, mas, com o passar do tempo, com jack mais velho trabalhando numa oficina de relógios, não fica bem claro se ele realmente desenvolve a habilidade ou só pensa em seus delÃrios que o faz.
num de seus sonhos à quarta dimensão, jack vê alguém, que se supõe ser albert einstein, colocar um livro de anotações num relógio que jack havia recém consertado. ele vai a casa da dona do relógio e o rouba, com a esperança de que a fórmula para viajar no tempo. o estudo do livro, porém, desperta uma série de eventos que revelam a verdade sobre a vida de jack.
pensando bem, 4th dimension não é tanto um filme quebra-cabeças, já que o final dá uma conclusão bem clara à trama. porém existe espaço para divagação e elaboração de loucas teorias, o que deve garantir uma certa sobrevida cult ao filme, que foi bem recebido no circuito indie americano.
o que me fascinou em 4th dimension foi mesmo o clima pesado, as referências de teorias fÃsicas bem aplicadas e a trilha, que além de um bom score original, repete a insana gwely mernans do aphex twin quase à exaustão. é frio na espinha certeiro todas as vezes que é executada.
o filme é o debut de uma dupla de diretores que já estão no meu radar, tom mattera e david mazzoni. ainda vou revê-lo com as 2 trilhas de comentários, é em filmes assim que o dvd brilha como formato.
carregando...
sábado, 5 de janeiro de 2008
blu-ray vs. hd-dvd
tenho acompanhado a guerra de formatos como consumidor de filmes que sou. procuro entender os aspectos técnicos, mas não me julgo um grande conhecedor.
ontem a warner puxou o tapete do grupo hd-dvd anunciando que a partir de maio de 2008 só vai lançar tÃtulos em blu-ray. o grupo hd-dvd, que tratou de lançar um comunicado se dizendo perplexo com a atitute do estúdio, cancelou a participação na feira eletrônica CES, o que é quase um jogar de toalha dado ao burburinho que ele próprio fazia do tamanho da campanha que estava preparada. muitos especialistas já dizem, enfaticamente, que o hd-dvd morreu ontem e prevêem até que alguns consumidores devolvam os player do formato comprados durante as últimas festas de fim de ano.
para ser curto e grosso, hoje em dia optar pelo blu-ray quase que implica comprar um playstation 3. os players da sony e pioneer são ainda direcionados ao consumidor de equipamentos topo de linha e custam em torno de 500 dólares. muito já se especulou sobre um player bd (corruptela de blu-ray disc) na faixa dos 100 dólares, mas não parece muito provável que tal player chegue ao mercado tão cedo.
o ps3 não é uma má escolha como bd-player. ele tem um bom processador e espaço em disco que permite que updates de firmware o mantenham atualizado por vários anos, até porque o formato blu-ray foi desenhado para constantes upgrades (já se pensa em discos com 100, 200 Gb de armazenamento, por exemplo). o que tem sido uma constante reclamação é o suporte de audio do ps3, que não tem suporte ao DTS HD, o formato que compete com o TRUE-HD e que está se tornando popular nos discos que estão sendo lançados. é lógico que o fato dele custar mais ou menos a mesma coisa que um bd-player normal com tudo a mais embutido nele - hd, processadores, ram, bluetooh, wi-fi - mostra que a sony está disposta a financiar a sua compra de ps3, desde que você seja um bom menino e compre bastante tÃtulos blu-ray e videogames.
a toshiba tem uma linha de players de 100 dólares, mas ela está praticamente sozinha no mercado de players pelo que parece uma eternidade. se num futuro próximo só existir uma marca de player hd-dvd no mercado, você sabe o perrenhe que vai passar como consumidor.
falando em consumidor, nenhum dos formatos foi pensado tendo-o em mente, mas o blu-ray pode ser visto como o formato mais abusivo. ambos têm DRM (o blu-ray com um formato considerado mais difÃcil de ser quebrado e portanto mais cruel), ambos forçam o consumidor a comprar novamente os filmes que ele quer ter em alta-definição. no entanto, o hd-dvd acabou com a idéia estúpida de zonas, enquanto que o blu-ray dividiu o mundo em a, b e c, numa estratégia de mercado que, embora seja mais bem pensada que a do dvd (brasil e eua estão na mesma zona), beneficia os estúdios e não o consumidor.
o blu-ray, em contrapartida, oferece algumas vantagens não presentes no hd-dvd. por ser mais sensÃvel à riscos que o hd-dvd, um mero risco pode arruinar o disco inteiro, o blu-ray recebe uma nova camada de proteção que o torna muito mais protegido aos maus-tratos que o dvd. imagino que essa proteção tenha sido uma das razões pelas quais a blockbuster resolveu optar pelo blu-ray ao invés do hd-dvd para os tÃtulos colocados em locação (lógico que um cheque graúdo do grupo blu-ray também deve ter ajudado).
outra vantagem sobre o hd-dvd, e talvez a mais divulgada, é que o bd pode armazenar 4x mais dados do que o hd-dvd e, sendo um formato de armazenamento pensado como upgradable, pode vir a armazenar até 200gb por disco.
muito se compara essa guerra dos formatos de alta-definição com a guerra do vhs vs. betamax, mas eu acho que o gosto do consumidor foi instrumental dessa vez.
a tomada de lado dos estúdios não criou uma defasagem em números de lançamentos, a diferença entre tÃtulos blu-ray e hd-dvd não passa de 30. os consumidores simplesmente compram mais blu-ray, mesmo que o número de hd-dvd players vendidos seja sensivelmente maior.
algumas pessoas apontam a disney como vantagem nessa predileção pelo blu-ray, mas eu acho que é improvável que os tÃtulos mais famÃlia deles tenham todo esse apelo com o consumidor de alta-definição, pelo menos nesse estágio inicial.
se o blu-ray for mesmo o formato vencedor, como tudo indica, foi porque os números de vendas de tÃtulos em blu-ray se mantiveram num patamar 2:1 sobre os em hd-dvd o ano inteiro.
carregando...
terça, 2 de outubro de 2007
london to brighton 




london to brighton começa com kelly, talvez a prostituta mais feia da história do cinema e com um olho inchado que nada faz para torná-la mais bonita, escondendo joanne, uma menina de 12 anos, num banheiro público e indo fazer um programa para conseguir pagar um trem para fugir de londres.
as duas fizeram algo visivelmente muito errado e o filme do iniciante paul andrew williams vai contando, em flashbacks, o que levaram as duas a escapar dali.
kelly topara acompanhar uma menina que seu cafetão ofereceu a duncan, pedófilo e aparentemente algum chefe de uma modalidade de crime organizado. só que kelly, que cuidou de achar a menina joanne, órfã de mãe e surrada constantemente pelo pai e que a pouco tinha fugido de casa, quando ouve os apelos da menina ao ser amarrada na cama pelo cliente volta atrás e invade o quarto para impedir o ato. há uma briga e duncan é ferido a facadas.
o filho recebe uma ligação de um duncan moribundo e vê o pai morrer quando chega no seu apartamento. ele vai ao cafetão, derek, o arquétipo do ser amoral, e o ameaça, cortando sua perna com um estilete, a achar a prostituta e a criança.
a viagem de londres para brighton funciona como um resgate da dignidade de kelly e joanne. joanne está muito longe de ser a criança indefesa e vitimizada que se vê em dramas, o seu personagem é complexo e um dos pontos mais fortes do filme. kelly, cujo olho inchado a torna quase um monstro na tela, vai readquirindo uma moral que ela mesma achava que tinha perdido, mesmo que sua aparência a force a se humilhar ainda mais para conseguir arranjar um programa e juntar dinheiro para continuar a fuga.
o fim da história não é nem o que se esperava que acontecesse, nem o que se temia. paul andrew williams imprime uma velocidade na trama (o filme fica abaixo dos 90 minutos) que torna o filme dinâmico mas não menos tocante.
um dos melhores filmes ingleses dos últimos tempos; sensÃvel e realista, diferente de como é geralmente tratado o submundo inglês nos filmes de guy richie.
a imagem do dvd é apenas ok e o som está somente em estéreo, muito embora a trilha esteja bem nÃtida. tem legenda em inglês para quem não entender o forte sotaque cockney presente em todo filme.
os extras compensam, tudo o que se pode esperar está lá: teste de casting, perguntas e respostas com o elenco e diretor, trilha de comentários, cenas deletadas (inclusive a polêmica cena do quarto de duncan, a qual não fiz questão de assistir) e o curta que deu origem ao filme.
obs. não sei se alguém notou, mas a semana do filme continua essa semana porque não consegui resenhar os sete filmes na semana passada.
carregando...
terça, 25 de setembro de 2007
burst city 




no começo dos anos 80, sogo ishii era um jovem diretor em tóquio vindo de uma boa experiência com curtas de faculdade e um discreto sucesso de crÃtica e público em alguns longas. filmava no cabresto para uma indústria japonesa que já começava a ir para o vhs (dando origem ao v-cinema), quando os blockbuster americanos tomaram quase que por completo as salas de cinema japonesas e empurraram a produção doméstica para as locadoras.
inconformado em ser tolhido na direção, ishii conseguiu um financiamento e decidiu chutar o pau da barraca com esse burst city, um retrato do movimento punk japonês com suas bandas favoritas, yakusa (elemento indispensável dos filmes da época) e tudo que era cool de se ter num filme dos anos 80: glitter gel e mercenários pós-apocalÃpticos.
é tentador dizer que é o mad max japonês, mas seria completamente errado.
o cenário de burst city gira em torno de um lixão suburbano habitado por punks e outcasts em geral - gangues de motoqueiros, mercenários pós-apocalÃpticos (é, são muitos!), cafetões e prostitutas - e transformado numa área de divertimento barra-pesada. por algum motivo, a yakusa quer construir um conjunto habitacional ali e está usando trabalho escravo de quem conseguir capturar.
nada mais interessa saber do enredo, ele não vai muito mais além disso. entre uma noite e outra no lixão e nas highways infinitas que rodam esse japão futurista, ishii arma guerra entre bandas que disputam os palcos na porrada, rachas entre gangues de motoqueiros, dancinhas coreografadas e policiais-robôs que parecem saÃdos de um show do daft punk. tudo com o melhor j-punk na trilha sonora.
como filme, burst city não é lá essas coisas. é muita gente em cena, o foco se perde entre acompanhar o dia a dia das bandas e mostrar as disputas polÃticas da yakusa, com mais um ou outro sub-enredo de personagens que não são necessariamente importantes para a trama.
no entanto, a história é periférica e funciona porque todos sob as câmeras são sem nenhuma esperança. os outcasts retratados por ishii habitam a negação da normalidade japonesa representada pelos punks do inÃcio dos 80, portanto pouco importa o que esteja acontecendo entre uma gig e outra, ou, desconfio, se era filme ou realidade.
burst city funciona melhor como um mega-clipe que retrata um pedaço da cultura japonesa que poucos ocidentais tiveram conhecimento e que o japão da época pouco queria mostrar, com uma linguagem cinematográfica inédita que seria depois copiada no cinema de shinya tsukamoto (tetsuo ironman, o clássico do shock-cinema japonês, é absurdamente derivativo dos enquadramentos de ishii no filme) e takashi miike, dois dos maiores cineastas japoneses da atualidade.
o dvd é bem cuidado e lançado pela nova distribuidora discotek. a imagem e o audio estão bem restaurados - para um filme que deve ter ficado um bom tempo perdido sabe-se lá onde, é um grande feito o que conseguiram alcançar.
carregando...
segunda, 24 de setembro de 2007
¿quién puede matar a un niño? 





o diretor de ¿quién puede matar a un niño?, narciso ibáñez serrador diz, num momento da entrevista incluÃda no recém lançado dvd americano, que se pudesse mudar algo no seu filme de 78, passaria a introdução, uma série de imagens de acervo das grandes tragédias da história moderna em que se matou centenas de crianças inocentes, para o fim do filme.
eu acho que seria um erro. o tema de ¿quién puede matar a un niño? é estabelecido desde o primeiro segundo de tal introdução e é só reafirmado nos primeiros vinte minutos do filme, seja pelas tais imagens histórias, pelo diálogo de personagens, ou pelo próprio fato do casal inglês que protagoniza o filme estar esperando o primeiro filho: as crianças são as que mais sofrem com a discórdia dos adultos.
pois bem, isso nos primeiros vinte minutos. porque o choque acontece quando o filme reverte aquilo que é esperado dele em uma só cena. não são as crianças que vão sofrer inadvertidamente durante o decorrer do filme, e sim os adultos.
quién puede segue um jovem casal inglês em sua aparente lua de mel (a mulher já está grávida, o que dá a entender que foi um casamento à s pressas) por uma cidade turÃstica espanhola. o marido está visivelmente numa cruzada para mostrar, com orgulho, um pouco de seu passado à esposa, o que os leva a uma ilha perto da cidade onde estão, onde ele serviu como oficial do exército inglês aguns anos antes.
é alta da temporada e a cidade, lotada, é uma armadilha para turistas. o fato de dois corpos terem sido achados na beira da praia, supostamente mortos por afogamento, não chama nenhuma atenção especial das autoridades e tampouco do casal inglês, o marido louco para chegar na ilha da qual tem tantas boas lembranças, a mulher, grávida e enjoada, louca para sair do burburinho em que se encontra a cidade.
a cena vital do filme ocorre quando os dois chegam à ilha e o marido, talvez querendo provar para a mulher que vai se tornar um grande pai, quer ser simpático com um menino pescando no ancoradouro. o marido coloca a mão no ombro do menino e faz um comentário engraçadinho e a criança responde com tal raiva que qualquer ser humano normal pegaria o barco de volta ao litoral. só para provar o quanto o filme mudou de rumo, nenhum adulto é encontrado na ilha. tudo está às moscas, com a eventual criança passando de um lado para o outro.
é impossÃvel falar mais do enredo sem entregar o filme, mas o que tem que ser dito é que o roteiro é absolutamente perfeito. todas as crianças da ilha se entregam em atuações aterrorizantes, mesmo que os adultos deixem um pouco a desejar. a fotografia de josé luis alcaine, que depois se tornaria o cinematógrafo oficial do almodóvar, é feita toda de dia, o que, em se falando de filmes de terror, torna o filme ainda mais especial.
a dark sky, pequena distribuidora que foi atrás da versão original do filme mutilado e lançado nos anos 70 nos estados unidos como island of the damned, fez um trabalho de restauração magnÃfico, a imagem do dvd é impecável.
tenho recomendado o filme a todos os amigos que gostam de filmes de terror, quién puede é quase um elo perdido do cinema europeu que deve ser visto a qualquer custo. depois de vê-lo e revê-lo é que consigo entender a invasão atual do terror espanhol.
carregando...
sexta, 3 de agosto de 2007
blu-ray vs. dvd
com muito pesar, tive que desistir de comprar o meu xbox 360 depois de comprovar que eu não era a única pessoa do mundo com muitos amigos que perderam o console para o bug das três luzes vermelhas da morte.
com uma taxa de 33% de consoles que dão problema nos primeiros meses de uso, o 360 deixou de ser uma solução viável para paÃses como o brasil, que não possuem suporte de hardware do fabricante dentro do seu próprio território.
goodbye halo 3, hello ps3. nunca tive um playstation, pulei do nintendo pro xbox, mas estou gostando do ps3 como game console e como media center também. mas isso é papo para outro post, porque eu caà (ou me deixei levar) pela estratégia esperta da sony de embutir um blu-ray player no console (e cortar 100 dólares do seu preço na mesma semana que a microsoft formalizou o problema com o 360) e adotei o blu-ray como formato de dvd de alta definição.
o blu-ray e hd-dvd, assim como o dvd, são apenas formatos de media storage e pouco mais do que isso. então não vá pensando que comprando um disco blu-ray você está necessariamente comprando algo com uma imagem melhor que um dvd.
é a mesma história do dvd. no começo, os estúdios estão querendo vender um novo formato ao consumidor, então ficam super zelosos com a qualidade do encoding dos filmes. depois, com o formato já amplamente aceito e distribuidoras menores autorando seus tÃtulos para o novo formato, um blu-ray ou hd-dvd pode ter uma imagem tão ruim quanto um dvd da lk-tel.
mas a questão é, com um bom encoding, saÃda 1080p e uma hdtv que aceite, sem downscaling, pelo menos 1080i (é quase um disparate falar em hdtv que não aceite 1080i, mas no brasil se vende plasma que não consegue mostrar isso) um blu-ray faz diferença, mesmo para quem consegue uma saÃda 720p com um dvd bem autorado. tanto que, depois de ver the fountain em blu-ray, decidi não mais comprar esses tÃtulos maiores em dvd. a caixa do bladerunner, por exemplo, vai ter que esperar até a versão blu-ray, que deve sair uns dois meses depois da versão em dvd.
agora, quanto a guerra de formatos, muito embora dizem que o blu-ray é praticamente o vencedor e o preferido dos estúdios, tive a impressão de ver mais tÃtulos em hd-dvd à venda na gringa. no entanto, com a toshiba vendendo hd-dvd player (que faz upscale de dvd para 1080i) à 200 dólares, não custa muito ter os dois formatos em casa.
que vale a pena o upgrade para hd, isso vale.
carregando...
quinta, 23 de novembro de 2006
bladerunner em dvd
não comprem a versão do dvd do bladerunner que está em pré-venda por aÃ. trata-se de uma reedição daquela versão que existia no mercado até pouco tempo.
ano que vem sai a versão comemorativa de 25 anos do filme, com todas as edições existentes do filme e uma nova, nunca vista, editada por ridley scott há alguns anos atrás para os 20 anos do filme e que não viu a luz do dia por um processo que corria na justiça americana.
carregando...
segunda, 13 de novembro de 2006
king kong estendido

sai amanhã!
carregando...
quarta, 8 de novembro de 2006
mpd-psycho
estou vendo e gostando da série de tv japonesa mpd-psycho, adaptação frenética do mangá de mesmo nome dirigida pelo takashi miike (ichi the killer, audition, dead or alive).
é terrÃvel ter sempre que comparar algo japonês a um equivalente ocidental, mas fica mais fácil dizer (e é a comparação mais óbvia) que a série é tipo o twin peaks de miike ao ter que explicar a história, que beira o nonsense.
não que isso me impeça de tentar: a mini-série gira em torno de um detetive que desenvolve um distúrbio de personalidade múltipla após ter a namorada assassinada por um suspeito de um caso que ele investigava.
até o terceiro episódio, são três suas personalidades, sendo que somente uma é a de um detetive reconhecido pela sua eficácia em analisar perfis de assassinos.
para ajudá-lo a prender o assassino de sua amada, que mesmo tendo sido morto por uma das personalidades do detetive aparentemente continua cometendo crimes, ele conta com uma detetive com a qual a sua personalidade original já teve algum envolvimento e um detetive mais velho e pouco brilhante, que troca vÃdeos feitos pela polÃcia nas cenas de crime por snuff movies no mercado negro.
o único porém tem sido os efeitos tipo mosaico que censuram partes das cenas mais fortes. rei absoluto da ultra-violência do shock cinema japonês, era esperado que algum tipo de adaptação teria que ser feita para a tv aberta. o aviso colocado na caixa do dvd pela distribuidora adness diz que não existe uma versão não-censurada, mas falta algum tipo de depoimento do próprio miike nos extras para corroborar a informação.
a caixa é bacana, embalagem bem apresentada, 4 dvds por 14 dólares. para quem gosta do cinema de miike, ver a sua idéia de novela de tv é diversão garantida.
carregando...
quarta, 30 de agosto de 2006
reflections of evil 



com a popularização do festival sundance e o amadurecimento do cinema independente americano, que hoje tem uma mirÃade de estrelas do primeiro escalão hollywoodiano fazendo fila para estar no filme de curto orçamento mais bem falado da temporada, criou-se uma espécie de subcondição para o cinema de baixo custo por lá, habitado por gente que não é parente de nenhuma figurinha da indústria de cinema, fica abaixo do radar de qualquer investidor por menos ambioso que este seja - gente como o diretor damon packard.
reflections of evil é uma pequena obra de arte que virou lenda pelas razões erradas. pouca gente chegou a ver o filme, mas muitos conhecem a história da sua divulgação: packard, na época do lançamento do filme, gravou milhares de dvds e os enviou, em centenas, para várias celebridades do mundo do entretenimento.
figuras como ellen degeneres e sylvester stallone interpretaram os dvds como algum tipo de ameaça de algum fã louco (o que resume, em grande parte, a reação geral de quem recebeu o inesperado pacote).
logo muitos, que não reconheceriam um bom filme por si mesmos nem que assim o quisessem, estavam tratando de correr atrás de suas restraining orders ao invés de prestar atenção no dvd.
continue lendo reflections of evil →
carregando...
quinta, 29 de junho de 2006
a miorada
a capa original e a capa “miorada”
carregando...
quarta, 28 de junho de 2006
the pusher trilogy 



tarantino deve ter visto a primeira e segunda parte e não falou nada. eli roth, seu pupilo, deve ter assistido a pusher 3 e ficado na miúda.
a trilogia do diretor dinamarquês nicolas winding refn está pedindo passagem com o lançamento da caixa no reino unido e começa a subir à superfÃcie depois de alguns anos escondida em pequenos festivais e sub-lançamentos em cinema e dvd.
os três filmes se passam em copenhagen e circulam pelo submundo do crime (sim, ele existe) da capital dinamarquesa. têm basicamente um núcleo definido de personagens, mas são, e esta é a maior virtude desta trilogia, três filmes muito diferentes.
pusher, o primeiro, de 1996, narra a descida ao inferno de frank, um dealer peixe-pequeno, que, no momento que está fazendo sua venda mais audaciosa, é pego no flagra pela polÃcia e tem que se desfazer de toda droga antes que pudesse efetuar a transação.
a partir daà segue-se uma cadeia de tentativas de repor o dinheiro devido à um dos drug overlords de copenhagen, o sérvio milo. todas, você deve imaginar, dão errado e vão afundando frank cada vez mais na lama.
pusher se assemelha muito à laranja mecânica de kubrick, no que se divide em duas partes: a primeira mostra o herói frank, o malandro bon vivant, passando pequenas quantidades de droga pela cidade, indo com seu amigo tonny em bares e bons restaurantes, contando piadas, freqüentando festas legais, seu possÃvel relacionamento sério com uma prostituta de luxo. na segunda, frank visita os mesmos lugares, mas a situação é completamente outra: no bar em que antes bebia com tonny, agora ele o surra com um taco de baseball, o lugar onde ele ia pegar a droga é aonde ele é torturado…
não existe, porém, nenhuma mensagem moral rápida e direta, como refn faz questão de enfatizar com o seu final em aberto. da mesma forma que kubrick tentava afirmar a natureza do homem pelo seu poder de escolha em laranja mecânica, o filme deixa frank num carro parado, com pelo menos dois destinos possÃveis.
as duas seqüências, filmadas uma atrás da outra entre 2004 e 2005, foram feitas depois da má recepção generalizada do seu filme de médio orçamento medo x. e são ainda melhores que o primeiro.
pusher 2 é a história do ex-comparsa de frank, tonny, anos mais tarde. recém saÃdo da cadeia, tonny vai trabalhar com seu pai, um chefe de quadrilha de roubo de automóveis que não demonstra nenhum tipo de laço emocional com o filho mais velho, mas que venera seu filho temporão, do qual tonny nem sabia da existência até aquele momento.
alienado por anos de afastamento e visivelmente debilitado pelo vÃcio de heroÃna, não leva muito tempo para ele começar a pisar na bola.
acaba se envolvendo com “the cunt”, um dealer de quinta categoria que o convence a ajudá-lo a esconder de um parceiro anônimo uma venda que não deu certo, forjando situações para encriminar uma quadrilha árabe. diferente do primeiro filme, pusher 2 chega a um tipo de desfecho e não é bonito.
pusher 3 é quase um genre movie e faz aqueles quinze minutos de tensão de o albergue parecerem filme da disney; haja estômago. mas não vá pensando que é por isso que o terceiro é o melhor filme.
o personagem principal é, assim como no segundo, alguém que já havia aparecido anteriormente na trama, só que agora colocado sobre o microscópio. milo, o drug overloard sérvio, aparece aqui anos mais tarde, mais velho e abatido, tentando desesperadamente se livrar do vÃcio da heroÃna e cocaÃna.
a primeira imagem de milo numa reunião dos narcóticos anônimos já serve para desmontar a idéia do impiedoso chefe de quadrilha e o que realmente se vê é o poder do tráfico mudando de mãos em copenhagen, com grupos de várias novas etnias operando em paralelo.
minha cena favorita dos três filmes está neste terceiro. é quando milo é confrontado por sua filha pela porcentagem que o seu noivo receberá quando for trabalhar com ele; ela quer dar as cartas, dominá-lo.
à milena, a filha única, foi dada uma vida de princesa e, ao que parece, o mais distante possÃvel do negócio sangrento do pai. mas naquele minuto, milo, um dealer em fim de carreira (trocadilho não intencionado) que procura algum tipo de redenção, senão pelo seu ofÃcio pelo menos através da cura do seu próprio vÃcio, descobre que a filha vai ser pior, muito pior do que ele.
talvez a menção ao tarantino não tenha sido as melhores para começar este post. a trilogia de refn parece mais um o poderoso chefão em versão comunidade européia, anos 00.
a caixa zona 2 sofre pela baixa aposta do estúdio. com apenas dois dvds, as duas seqüências estão apertadas num só disco, o que não deixa espaço para uma trilha 5.1 nem para making-of. estes aparecem no primeiro filme e são bem cuidados.
pusher 2 e 3 também estão sutilmente mais comprimidos do que o primeiro filme, e, sendo filmes com várias cenas noturnas, deve atrapalhar quem for ver o filme em hdtv (e for chato com esse tipo de coisa). os três filmes têm trilha de comentário do diretor.
os filmes estão agendados para estréia juntos em alguns cinemas americanos neste verão, com o lançamento do box em dvd zona 1 logo depois.
carregando...
sexta, 7 de abril de 2006
a febre do brinde
olha o chato aqui reclamando de dvd outra vez (1 2). agora são estes brindes esdrúxulos que se tem incluido nos dvds. tenta-se agregar valor a um produto com outro de qualidade e bom gosto duvidável e não ao produto em si.
o dvd do king kong, por exemplo, sai pelado, sem encarte com a arte do filme e a lista de capÃtulos, uma coisa que sempre realça o dvd, principalmente um de um filme com o visual tão bacana. entretanto, olha a vantagem, vem com um squeeze desses de levar lÃquidos à academia.
é logico que alguém que precise desesperadamente de um squeeze e também gostou muito do filme se dá muito bem, mas qual é o apelo disso para a maioria das pessoas? e do copo de vinho, brinde do cruzada? e do álbum de fotografias no aviador? e o batom (!!!) no diário de uma paixão?
eu estaria muito mais satisfeito com a versão “com brinde” sul-coreana do dvd, na foto abaixo (#).
não faria mais sentido usar a receita que se tem para comprar o brinde com uma embalagem diferente, ou postcards com a arte do filme ou um booklet falando do filme dentro do dvd?
bom, mas nem tudo está perdido. a europa filmes, surpreendentemente, investiu numa bela embalagem para o ótimo a queda.
mas, também, há de se duvidar da popularidade de um squeeze adornado com uma suástica.
carregando...
quinta, 16 de março de 2006
lojinha
tenho 2 dvds duplicados pra fazer negócio.
um é o saw (jogos mortais), duplo, versão estendida (tem alguns minutos a mais que a do cinema e do dvd nacional, mas não é tão diferente). o legal é que o case é transparente e tem uma meleca que parece sangue dentro. dá pra ver na amazon.
outro é o demon seed, terror dos anos 70 que passava na globo com o tÃtulo geração proteus. é sobre um supercomputador que toma conta do sistema de segurança de uma casa e quer engravidar a mulher do cientista que criou ele. bacanérrimo (#).
ambos são zona 1 e estão lacrados com aqueles zilhões de selos que vêm em dvd americano. 35 reais cada, mais o frete pra sua casa.
pode tratar pelo spiceee no gmail ponto com.
carregando...
terça, 31 de janeiro de 2006
wolf creek 




emprestando muito do tema e do cenário árido de o massacre da serra elétrica, wolf creek, filme australiano do estreante greg mclean, mexe com os nervos porque é crÃvel e intimista.
ao invés da dezena de protagonistas usados em filmes do gênero somente com o intuito de se aumentar o body count na tela, wolf creek conta a história (que se diz baseada em fatos reais) de três jovens australianos cuja viagem tipo backpacking de volta para a casa é interrompida quando o carro pára de funcionar. eles aceitam a ajuda de um tÃpico morador do deserto australiano e do resto você já deve ter uma idéia.
o que impressiona em wolf creek é a ausência de truques e “escapadas por um triz”, usadas tanto em filmes de terror americanos. o filme é brutal, simples.
o elenco também ajuda muito na credibilidade do filme. são três jovens fora do estereótipo “riquinhos de hollywood se fazendo passar por gente normal em apuros”, o que faz você realmente torcer por eles e não pelo algoz, coisa rara no gênero.
o dvd duplo região dois vem com um pacote básico de extras e agrada, mas poderia ser melhor.
o filme vem sem legenda alguma, o que seria imprescindÃvel visto que o sotaque aussie à s vezes é bem difÃcil de se entender. o documentário making-of é bom, tem quase uma hora. as cenas deletadas não vêm com comentário do diretor. fica-se sem saber porque não foram parar na versão final.
faltou mesmo um extra que fizesse a ligação entre a história do filme e a história real, que ainda hoje é um mistério por lá.
o som (trilha de efeitos e musical, sem dts) e a imagem são nota dez.
carregando...
domingo, 29 de janeiro de 2006
noite do dvd
o bom de ver audition com gente que nunca viu é ficar prestando atenção nas pessoas que vêem o filme e não no filme em si.
tudo corre as mil maravilhas até a inesperada cena do telefonema, quando o saco pula (quem já viu sabe da cena que eu tou falando). um exercÃcio em sadismo!
o filme de takashi miike entra facilmente num top 20 dos meus filmes preferidos.
carregando...
quarta, 18 de janeiro de 2006
comparando dvds
chegou a hora de provar o que eu sempre digo sobre a qualidade dos dvds brasileiros.
reclama-se do dinheiro perdido com pirataria, que as cópias piratas são de qualidade inferior.
mas a verdade é que, salvos os dvds que já vêm prontos da gringa, grande parte dos dvds lançados no brasil têm qualidade igual ou até inferior aos filmes encontrados em redes p2p.
duvida? pois eu capturei alguns frames da versão americana do dvd do jogos mortais e da versão oficial brasileira, lançada pela lk-tel video.
ambos dvds são originais, comprados por mim novos, lacrados. os frames foram capturados com o screencapture do osx v. 10.4 e rodavam no dvd player padrão do osx. salvos em jpeg 80% sem qualquer tipo de retoque.
note que a versão brasileira foi redimensionada para parecer com widescreen anamórfico (as duas faixas pretas ficam menores num televisor normal - formato letterbox) a partir de uma cópia 16:9 (na qual as faixas pretas são maiores em ambas extremidades da tela), por isso é possÃvel ver “mais imagem” na versão zona 1 (gringa) bem como se nota que as pessoas se alongam de forma nada natural na cópia brasileira (zona 4).
veja a comparação.
assim que eu notei a baixa qualidade deste dvd entrei no submarino (de quem comprei o dvd) e dei a minha opinião sobre o produto usando o formulário desta página.
ele nunca foi aprovado, diferentemente de outras opiniões positivas que apareceram na mesma página nas semanas seguintes.
mandei também email para a paris filmes, que co-lançou o filme com a lk-tel. não obtive resposta.
carregando...
sexta, 25 de novembro de 2005
the descent 




the descent estava na minha listinha desde o começo de fevereiro.
pois acabou de sair em dvd na inglaterra e chegou quentinho em minhas mãos (o filme ainda não tem data de estréia nos estados unidos, mas, ao que parece, a lgf - que está assinando com todos os bons genre movies - prepara a distribuição para o ano que vem.
neil marshall é um nerd dos bons, um rato de videolocadora na adolescência assim como tarantino e peter jackson.
com a falta de criatividade em que o cinema americano de horror se encontra, este inglês já havia provado com dog soldiers, um mash-up de filme militar fim de domingo da globo com filme de lobisomem (soa ruim, mas o resultado diverte), que sabia fazer filmes de custo baixo e de boa qualidade.
the descent, seu terceiro filme, é daquele tipo de terror claustrofóbico e psicológico que colocou no mapa filmes como tubarão, alien e o iluminado.
a história começa quando seis amigas aficionadas por esportes radicais (é o girl flick que os homens rezaram para ver) decidem explorar uma caverna nas montanhas cheyenne a fim de reunir outra vez o grupo, abalado pela morte recente da filha e marido de uma delas.
tudo muito divertido, até que a montanha começa a destoar demais da rota já traçada por outros aventureiros e descobrir-se que uma delas, a encarregada pela escolha do local, resolveu desbravar uma outra caverna ainda não explorada por ninguém, só para aumentar o desafio.
algumas passagens apertadÃssimas depois (ninguém com claustrofobia deve, em sã consciência, assistir a este filme), a caverna começa a ruir, deixando as spice-rapel-girls sem nenhuma escolha senão se embrenhar mais e mais profundamente no interior da montanha, à procura de uma outra saÃda.
vale a pena mencionar agora o jeito do qual marshall decidiu filmar este filme. é como ele mesmo diz no making of: “se não ficasse com a iluminação mais real possÃvel, desligava-se todas as luzes e filmava-se com uma caixa de fósforos”. e é isso que ele conseguiu: em 90% do filme, você vai ficar com mais medo do escuro do que as seis divas do grito na tela.
a partir desse momento, tire os cardÃacos da sala. como desgraça pouca é bobagem, as meninas encontram umas coisas no interior da montanha e elas estão com fome!
depois disso, não vai dar pra respirar direito. pode procurar em vão: não existe seqüências de sustos mais elaboradas em pelÃcula este ano.
isto é tudo que eu vou/posso falar sobre o filme sem spoilers.
a trilha dts do dvd zona 2 é acachapante, merece ou um home-theater bacana ou pelo menos um bom dolby de sala de cinema . o woofer trabalha muito (quando uma das paredes da caverna começa a ruir é como morar a uma quadra do aeroporto de cumbica) e os efeitos de gotas e gritos das coisas famintas se viram bem nos surrounds.
o menu do dvd é um dos mais bacanas do ano, vem todo “apagado” e uma luz vai deixando as opções disponÃvel à medida que ela vai balançando de um lado a outro.
existe ainda outro dvd inteiro de features (com outro bom menu que imita uma mini-dv de uma das personagens) um extenso documentário, cenas estendidas, material não utilizado, trailers, etc.
pode anotar na sua listinha, the descent é um dos melhores filmes do ano.
carregando...
sexta, 18 de novembro de 2005
mysterious skin 



gregg araki tem uma paixão por sensacionalismo. é como se ele escolhesse seus roteiros para chocar mas acaba por fazer filmes cheios de estilo mas meio rasos, muito visual e pouco conteúdo.
não é o caso de mysterious skin, último e talvez melhor filme dele. araki analisa a vida de dois garotos abusados sexualmente por seu professor de educação fÃsica de forma sensata, sem estilizar o tema e tender à apologia.
neil (joseph gordon-levitt, do seriado third rock from the sun), um dos garotos, “aceita” o ato como algo do destino, enquanto o outro (brady corbett) mascara suas lembranças do dia como uma possÃvel abdução por alienÃgenas.
nos anos que seguem ambos sofrem com as seqüelas, araki faz questão de mostrar que ninguém sai ileso disso.
mesmo sem serem explÃcitas, apesar do nc-17 que o filme ganhou nos estados unidos (vamos dizer que você não vai encontrar o filme para alugar numa blockbuster lá), muitas cenas impressionam justamente pelo que não mostram; não é para qualquer um.
a trilha sonora, que ajuda a tornar o assunto digerÃvel, é uma das mais bacanas do ano. composta pelo guitarrista do cocteau twins robin guthrie e o compositor (e parceiro eventual de brian eno) harold budd, não faz feio como um álbum de idm, bom de se ouvir em dias chuvosos.
o dvd é da tla (tartan video), portanto impecável tecnicamente - imagem estalando, audio em dts (uma ordem de magnitude melhor que dolby). entre os extras, entrevistas e passagens do livro que deu origem ao roteiro lidas pelos atores.
a desaparecida elizabeth shue está ótima como a mãe de um dos garotos.
carregando...