quarta, 7 de maio de 2008
the 4th dimension 



consigo entender por que algumas pessoas verão o the 4th dimension e o descartarão como pretensioso: é preto e branco, metade dos créditos são dedicados à consultoria de fÃsicos e, ao fim, muda para colorido.
não sei se existe algum termo para esse tipo de filme, eu chamo de puzzle movie e vai bem com o pi do darren aronofsky e o primer do shane carruth. é sobre jack emitni (”in time” ao contrário), um cara com TOC que acredita que pode sentir a quarta dimensão quando dorme. a história começa com ele pequeno, quando dá sinais de ser um gênio da matemática, mas, com o passar do tempo, com jack mais velho trabalhando numa oficina de relógios, não fica bem claro se ele realmente desenvolve a habilidade ou só pensa em seus delÃrios que o faz.
num de seus sonhos à quarta dimensão, jack vê alguém, que se supõe ser albert einstein, colocar um livro de anotações num relógio que jack havia recém consertado. ele vai a casa da dona do relógio e o rouba, com a esperança de que a fórmula para viajar no tempo. o estudo do livro, porém, desperta uma série de eventos que revelam a verdade sobre a vida de jack.
pensando bem, 4th dimension não é tanto um filme quebra-cabeças, já que o final dá uma conclusão bem clara à trama. porém existe espaço para divagação e elaboração de loucas teorias, o que deve garantir uma certa sobrevida cult ao filme, que foi bem recebido no circuito indie americano.
o que me fascinou em 4th dimension foi mesmo o clima pesado, as referências de teorias fÃsicas bem aplicadas e a trilha, que além de um bom score original, repete a insana gwely mernans do aphex twin quase à exaustão. é frio na espinha certeiro todas as vezes que é executada.
o filme é o debut de uma dupla de diretores que já estão no meu radar, tom mattera e david mazzoni. ainda vou revê-lo com as 2 trilhas de comentários, é em filmes assim que o dvd brilha como formato.
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sábado, 5 de janeiro de 2008
blu-ray vs. hd-dvd
tenho acompanhado a guerra de formatos como consumidor de filmes que sou. procuro entender os aspectos técnicos, mas não me julgo um grande conhecedor.
ontem a warner puxou o tapete do grupo hd-dvd anunciando que a partir de maio de 2008 só vai lançar tÃtulos em blu-ray. o grupo hd-dvd, que tratou de lançar um comunicado se dizendo perplexo com a atitute do estúdio, cancelou a participação na feira eletrônica CES, o que é quase um jogar de toalha dado ao burburinho que ele próprio fazia do tamanho da campanha que estava preparada. muitos especialistas já dizem, enfaticamente, que o hd-dvd morreu ontem e prevêem até que alguns consumidores devolvam os player do formato comprados durante as últimas festas de fim de ano.
para ser curto e grosso, hoje em dia optar pelo blu-ray quase que implica comprar um playstation 3. os players da sony e pioneer são ainda direcionados ao consumidor de equipamentos topo de linha e custam em torno de 500 dólares. muito já se especulou sobre um player bd (corruptela de blu-ray disc) na faixa dos 100 dólares, mas não parece muito provável que tal player chegue ao mercado tão cedo.
o ps3 não é uma má escolha como bd-player. ele tem um bom processador e espaço em disco que permite que updates de firmware o mantenham atualizado por vários anos, até porque o formato blu-ray foi desenhado para constantes upgrades (já se pensa em discos com 100, 200 Gb de armazenamento, por exemplo). o que tem sido uma constante reclamação é o suporte de audio do ps3, que não tem suporte ao DTS HD, o formato que compete com o TRUE-HD e que está se tornando popular nos discos que estão sendo lançados. é lógico que o fato dele custar mais ou menos a mesma coisa que um bd-player normal com tudo a mais embutido nele - hd, processadores, ram, bluetooh, wi-fi - mostra que a sony está disposta a financiar a sua compra de ps3, desde que você seja um bom menino e compre bastante tÃtulos blu-ray e videogames.
a toshiba tem uma linha de players de 100 dólares, mas ela está praticamente sozinha no mercado de players pelo que parece uma eternidade. se num futuro próximo só existir uma marca de player hd-dvd no mercado, você sabe o perrenhe que vai passar como consumidor.
falando em consumidor, nenhum dos formatos foi pensado tendo-o em mente, mas o blu-ray pode ser visto como o formato mais abusivo. ambos têm DRM (o blu-ray com um formato considerado mais difÃcil de ser quebrado e portanto mais cruel), ambos forçam o consumidor a comprar novamente os filmes que ele quer ter em alta-definição. no entanto, o hd-dvd acabou com a idéia estúpida de zonas, enquanto que o blu-ray dividiu o mundo em a, b e c, numa estratégia de mercado que, embora seja mais bem pensada que a do dvd (brasil e eua estão na mesma zona), beneficia os estúdios e não o consumidor.
o blu-ray, em contrapartida, oferece algumas vantagens não presentes no hd-dvd. por ser mais sensÃvel à riscos que o hd-dvd, um mero risco pode arruinar o disco inteiro, o blu-ray recebe uma nova camada de proteção que o torna muito mais protegido aos maus-tratos que o dvd. imagino que essa proteção tenha sido uma das razões pelas quais a blockbuster resolveu optar pelo blu-ray ao invés do hd-dvd para os tÃtulos colocados em locação (lógico que um cheque graúdo do grupo blu-ray também deve ter ajudado).
outra vantagem sobre o hd-dvd, e talvez a mais divulgada, é que o bd pode armazenar 4x mais dados do que o hd-dvd e, sendo um formato de armazenamento pensado como upgradable, pode vir a armazenar até 200gb por disco.
muito se compara essa guerra dos formatos de alta-definição com a guerra do vhs vs. betamax, mas eu acho que o gosto do consumidor foi instrumental dessa vez.
a tomada de lado dos estúdios não criou uma defasagem em números de lançamentos, a diferença entre tÃtulos blu-ray e hd-dvd não passa de 30. os consumidores simplesmente compram mais blu-ray, mesmo que o número de hd-dvd players vendidos seja sensivelmente maior.
algumas pessoas apontam a disney como vantagem nessa predileção pelo blu-ray, mas eu acho que é improvável que os tÃtulos mais famÃlia deles tenham todo esse apelo com o consumidor de alta-definição, pelo menos nesse estágio inicial.
se o blu-ray for mesmo o formato vencedor, como tudo indica, foi porque os números de vendas de tÃtulos em blu-ray se mantiveram num patamar 2:1 sobre os em hd-dvd o ano inteiro.
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terça, 2 de outubro de 2007
london to brighton 




london to brighton começa com kelly, talvez a prostituta mais feia da história do cinema e com um olho inchado que nada faz para torná-la mais bonita, escondendo joanne, uma menina de 12 anos, num banheiro público e indo fazer um programa para conseguir pagar um trem para fugir de londres.
as duas fizeram algo visivelmente muito errado e o filme do iniciante paul andrew williams vai contando, em flashbacks, o que levaram as duas a escapar dali.
kelly topara acompanhar uma menina que seu cafetão ofereceu a duncan, pedófilo e aparentemente algum chefe de uma modalidade de crime organizado. só que kelly, que cuidou de achar a menina joanne, órfã de mãe e surrada constantemente pelo pai e que a pouco tinha fugido de casa, quando ouve os apelos da menina ao ser amarrada na cama pelo cliente volta atrás e invade o quarto para impedir o ato. há uma briga e duncan é ferido a facadas.
o filho recebe uma ligação de um duncan moribundo e vê o pai morrer quando chega no seu apartamento. ele vai ao cafetão, derek, o arquétipo do ser amoral, e o ameaça, cortando sua perna com um estilete, a achar a prostituta e a criança.
a viagem de londres para brighton funciona como um resgate da dignidade de kelly e joanne. joanne está muito longe de ser a criança indefesa e vitimizada que se vê em dramas, o seu personagem é complexo e um dos pontos mais fortes do filme. kelly, cujo olho inchado a torna quase um monstro na tela, vai readquirindo uma moral que ela mesma achava que tinha perdido, mesmo que sua aparência a force a se humilhar ainda mais para conseguir arranjar um programa e juntar dinheiro para continuar a fuga.
o fim da história não é nem o que se esperava que acontecesse, nem o que se temia. paul andrew williams imprime uma velocidade na trama (o filme fica abaixo dos 90 minutos) que torna o filme dinâmico mas não menos tocante.
um dos melhores filmes ingleses dos últimos tempos; sensÃvel e realista, diferente de como é geralmente tratado o submundo inglês nos filmes de guy richie.
a imagem do dvd é apenas ok e o som está somente em estéreo, muito embora a trilha esteja bem nÃtida. tem legenda em inglês para quem não entender o forte sotaque cockney presente em todo filme.
os extras compensam, tudo o que se pode esperar está lá: teste de casting, perguntas e respostas com o elenco e diretor, trilha de comentários, cenas deletadas (inclusive a polêmica cena do quarto de duncan, a qual não fiz questão de assistir) e o curta que deu origem ao filme.
obs. não sei se alguém notou, mas a semana do filme continua essa semana porque não consegui resenhar os sete filmes na semana passada.
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quinta, 27 de setembro de 2007
calvaire 




calvaire (the ordeal) é supostamente uma homenagem do belga fabrice du welz cinema de horror americano, o estreante diretor quis juntar a áura de tensão de filmes de hitchcock, psicose em especial, e a estética árida e cruel de o massacre da serra elétrica.
o filme acaba sendo muito mais pesado e difÃcil do que os homenageados, mas nem tanto pelo efeito açougue. o que o livra de ser somente um incômodo visual é a carga dos personagens de welz; são sujeitos fronteiriços, entre a neurose e a psicose, que, apesar da monstruosidades que fazem, mantém uma caracterÃstica humana todo o tempo. welz diz querer inverter os papéis dos genre movies, e fazer com que a audiência sofra pelo algoz e não pela vÃtima. consegue isso até certo ponto - todos em cena são pessoas falidas de uma forma ou outra, fica impossÃvel não se sensibilizar com ambos os lados.
a história é a clássica andarilho perdido em cidade pequena. marc stevens é um cantor fracassado que vive dirigindo sua vã de show em show. ele é pior que cantor de churrascaria, o filme abre com um show dele num asilo de velhinhos uma semana antes do natal. entre um show e outro, ele pega uma estrada errada e se perde em meio a um temporal. acha um vilarejo, uma pousada e dorme a fim de seguir viagem no dia seguinte. o dono da pousada, com a desculpa que a van precisava de uma peça, começa a manter marc na cidade, e ele, que tinha um show de natal, começa a se desesperar.
marc vai percebendo que existe algo estranho no local, não existe nenhuma mulher. quando ele nota que o dono da pousada está sabotando sua saÃda e mexendo em sua mala, marc leva um soco e começa a ser tratado por glória, a suposta ex-mulher do dono da hospedagem. sentiu o drama?
welz vai baixando o véu de normalidade de seus personagens trocando enquadramento e luz, as influências do dogma ficam bem claras. ninguém na cidade é o que parece ser e eles mesmos não reconhecem algo por aquilo que ele realmente é. um andarilho que procura por um cachorro por metade do filme, aparece com um novilho e o trata como o cachorro perdido, do mesmo jeito que marc é agora glória. a cidade mesmo vai adquirindo ares surreais, distantes da realidade.
o próprio nome do filme carrega uma simbologia que welz faz questão de mostrar. calvaire tem meia dúzia de cenas que, se o filme fosse mais visto, se tornariam clássicas. se perguntado, eu diria que, junto com the descent, é um dos candidatos a Ãcones do gênero dos anos 00.
a fotografia de calvaire foi assinada por benoit debie, o mesmo de irreversÃvel, e deve ser melhor do que é retratada no dvd. a imagem é boa, mas não tão nÃtida quanto poderia. sendo um filme aparentemente capturado digitalmente, é bem capaz de receber melhor tratamento num dvd futuro.
o som se distribui bem pelos 6 canais, mas o filme é bem intimista nesse aspecto, a trilha musical é quase inexistente e a sonora não tem efeitos para causar susto; welz prefere usar o relinchar de porcos em algumas nas cenas mais importantes, um dos elementos mais estranhos do filme.
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quarta, 26 de setembro de 2007
vai lá brasil!
eu não consigo entender o torcismo (isso existe?), o termo que (acho que) inventei para chamar essa capacidade do brasileiro de alegorizar tudo como copa do mundo.
um dos torcismos que mais me irrita é esse do oscar. gastam tanta energia se remoendo com o fato do brasil nunca ter trazido um oscar pra casa, nunca ter sido “campeão mundial do oscar”, e eu fico me perguntando de onde surgiu a analogia.
não existe uma fifa do oscar, um órgão que ranqueie paÃses e diretores (ou seriam jogadores) melhores do mundo. o diretor que leva mais oscar nunca foi chamado de artilheiro. o galvão não narra o oscar; o arnaldo coelho não analisa a arbitragem. não existe ninguém que apite o empedimento quando o prêmio é dado erroneamente, não tem gente segurando cartaz “filma eu”.
por que então, cristo rei, as pessoas vestem camiseta da seleção pra assistir o oscar na tv?
agora existe uma comoção pela escolha, tida pela massa como errada, do filme o ano em que meus pais sairam de férias para ser o representante/time brasileiro no oscar do ano que vem. a torcida organizada queria o tropa de elite e estão tão putos quanto uma escalação que deixou de fora o craque preferido.
ora, o oscar é um prêmio americano, sustentado pela própria indústria americana que, numa tentativa de parecer menos egocêntrica, joga, numa categoria só, toda a produção mundial de cinema, esta provavelmente de um nÃvel bem superior à americana.
não existe razão para torcismo, o prêmio vai sair um dia e vai ser mais por uma série de fatores, incluindo o bater de asas de uma borboleta da tasmânia, incluindo o mérito do filme mas não tão somente ele.
não sou o antiufanista, só tenho medo do que está por vir se o brasil ganhar o oscar ano que vem. e o que seria? a busca pelo bicampeonato!
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terça, 25 de setembro de 2007
burst city 




no começo dos anos 80, sogo ishii era um jovem diretor em tóquio vindo de uma boa experiência com curtas de faculdade e um discreto sucesso de crÃtica e público em alguns longas. filmava no cabresto para uma indústria japonesa que já começava a ir para o vhs (dando origem ao v-cinema), quando os blockbuster americanos tomaram quase que por completo as salas de cinema japonesas e empurraram a produção doméstica para as locadoras.
inconformado em ser tolhido na direção, ishii conseguiu um financiamento e decidiu chutar o pau da barraca com esse burst city, um retrato do movimento punk japonês com suas bandas favoritas, yakusa (elemento indispensável dos filmes da época) e tudo que era cool de se ter num filme dos anos 80: glitter gel e mercenários pós-apocalÃpticos.
é tentador dizer que é o mad max japonês, mas seria completamente errado.
o cenário de burst city gira em torno de um lixão suburbano habitado por punks e outcasts em geral - gangues de motoqueiros, mercenários pós-apocalÃpticos (é, são muitos!), cafetões e prostitutas - e transformado numa área de divertimento barra-pesada. por algum motivo, a yakusa quer construir um conjunto habitacional ali e está usando trabalho escravo de quem conseguir capturar.
nada mais interessa saber do enredo, ele não vai muito mais além disso. entre uma noite e outra no lixão e nas highways infinitas que rodam esse japão futurista, ishii arma guerra entre bandas que disputam os palcos na porrada, rachas entre gangues de motoqueiros, dancinhas coreografadas e policiais-robôs que parecem saÃdos de um show do daft punk. tudo com o melhor j-punk na trilha sonora.
como filme, burst city não é lá essas coisas. é muita gente em cena, o foco se perde entre acompanhar o dia a dia das bandas e mostrar as disputas polÃticas da yakusa, com mais um ou outro sub-enredo de personagens que não são necessariamente importantes para a trama.
no entanto, a história é periférica e funciona porque todos sob as câmeras são sem nenhuma esperança. os outcasts retratados por ishii habitam a negação da normalidade japonesa representada pelos punks do inÃcio dos 80, portanto pouco importa o que esteja acontecendo entre uma gig e outra, ou, desconfio, se era filme ou realidade.
burst city funciona melhor como um mega-clipe que retrata um pedaço da cultura japonesa que poucos ocidentais tiveram conhecimento e que o japão da época pouco queria mostrar, com uma linguagem cinematográfica inédita que seria depois copiada no cinema de shinya tsukamoto (tetsuo ironman, o clássico do shock-cinema japonês, é absurdamente derivativo dos enquadramentos de ishii no filme) e takashi miike, dois dos maiores cineastas japoneses da atualidade.
o dvd é bem cuidado e lançado pela nova distribuidora discotek. a imagem e o audio estão bem restaurados - para um filme que deve ter ficado um bom tempo perdido sabe-se lá onde, é um grande feito o que conseguiram alcançar.
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segunda, 24 de setembro de 2007
¿quién puede matar a un niño? 





o diretor de ¿quién puede matar a un niño?, narciso ibáñez serrador diz, num momento da entrevista incluÃda no recém lançado dvd americano, que se pudesse mudar algo no seu filme de 78, passaria a introdução, uma série de imagens de acervo das grandes tragédias da história moderna em que se matou centenas de crianças inocentes, para o fim do filme.
eu acho que seria um erro. o tema de ¿quién puede matar a un niño? é estabelecido desde o primeiro segundo de tal introdução e é só reafirmado nos primeiros vinte minutos do filme, seja pelas tais imagens histórias, pelo diálogo de personagens, ou pelo próprio fato do casal inglês que protagoniza o filme estar esperando o primeiro filho: as crianças são as que mais sofrem com a discórdia dos adultos.
pois bem, isso nos primeiros vinte minutos. porque o choque acontece quando o filme reverte aquilo que é esperado dele em uma só cena. não são as crianças que vão sofrer inadvertidamente durante o decorrer do filme, e sim os adultos.
quién puede segue um jovem casal inglês em sua aparente lua de mel (a mulher já está grávida, o que dá a entender que foi um casamento à s pressas) por uma cidade turÃstica espanhola. o marido está visivelmente numa cruzada para mostrar, com orgulho, um pouco de seu passado à esposa, o que os leva a uma ilha perto da cidade onde estão, onde ele serviu como oficial do exército inglês aguns anos antes.
é alta da temporada e a cidade, lotada, é uma armadilha para turistas. o fato de dois corpos terem sido achados na beira da praia, supostamente mortos por afogamento, não chama nenhuma atenção especial das autoridades e tampouco do casal inglês, o marido louco para chegar na ilha da qual tem tantas boas lembranças, a mulher, grávida e enjoada, louca para sair do burburinho em que se encontra a cidade.
a cena vital do filme ocorre quando os dois chegam à ilha e o marido, talvez querendo provar para a mulher que vai se tornar um grande pai, quer ser simpático com um menino pescando no ancoradouro. o marido coloca a mão no ombro do menino e faz um comentário engraçadinho e a criança responde com tal raiva que qualquer ser humano normal pegaria o barco de volta ao litoral. só para provar o quanto o filme mudou de rumo, nenhum adulto é encontrado na ilha. tudo está às moscas, com a eventual criança passando de um lado para o outro.
é impossÃvel falar mais do enredo sem entregar o filme, mas o que tem que ser dito é que o roteiro é absolutamente perfeito. todas as crianças da ilha se entregam em atuações aterrorizantes, mesmo que os adultos deixem um pouco a desejar. a fotografia de josé luis alcaine, que depois se tornaria o cinematógrafo oficial do almodóvar, é feita toda de dia, o que, em se falando de filmes de terror, torna o filme ainda mais especial.
a dark sky, pequena distribuidora que foi atrás da versão original do filme mutilado e lançado nos anos 70 nos estados unidos como island of the damned, fez um trabalho de restauração magnÃfico, a imagem do dvd é impecável.
tenho recomendado o filme a todos os amigos que gostam de filmes de terror, quién puede é quase um elo perdido do cinema europeu que deve ser visto a qualquer custo. depois de vê-lo e revê-lo é que consigo entender a invasão atual do terror espanhol.
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sexta, 21 de setembro de 2007
semana do filme esquisito
semana que vem vou fazer algo que bolei para me livrar de todas as pendências de resenhas de dvd que eu achava que precisava fazer: (rufar de tambores aqui) a sensacional semana do filme esquisito!
é lógico que muito provavelmente os filmes só interessam a mim mesmo e vou afundar ainda mais meu pagerank, technorati rank e todas as outras metragens de popularidade da blogosfera.
é uma resenha por dia. nenhum dos dvds, até onde vai meu conhecimento, saiu no brasil.
todos eles são comprados legalmente, até porque em sua maioria são de distribuidoras pequenas americanas e eu reverencio o trabalho dessas pessoas - os selos mom and pop de dvds americanos têm tal cuidado com a qualidade e a restauração de filmes pouco conhecidos (mas não de menos mérito) que o mÃnimo que se pode fazer é pagar o preço do dvd.
a semana do filme esquisto começa (rufar de tambores aqui) no domingo.
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domingo, 25 de fevereiro de 2007
palpites do oscar 2007
o dia já começou com uma decepção: o a dama da água não levou o pior filme do ano no framboesa de ouro. mas vamos lá:
- filme: babel ganha, o mais fraco dos concorrentes na categoria
- diretor: clint eastwood (cartas de iwo jima)
- ator: forest whitaker (o último rei da escócia), muito embora eu tenha gostado mais do ryan gosling em half nelson, um dos melhores filmes do ano √
- atriz: helen mirren (a rainha), kate winslet também merecia, a melhor coisa do morno pecados Ãntimos √
- ator coadjuvante: eddie murphy leva pelo chato dreamgirls, provando que o mundo está de ponta cabeça
- atriz coadjuvante: jennifer hudson (dreamgirls) √
- filme estrangeiro: o labirinto do fauno (talvez o melhor filme na premiação)
- roteiro original: pequena miss sunshine √
- roteiro adaptado: os infiltrados √
- edição: vôo united 93
- edição de som: apocalypto
- maquiagem: o labirinto do fauno (dá pra acreditar que tem um filme do adam sandler concorrendo ao oscar nessa categoria?) √
- mixagem: dreamgirls √
- efeitos especiais: piratas do caribe: o baú da morte √
- figurino: dreamgirls
- fotografia: o ilusionista
- trilha sonora: alexandre desplat (a rainha). o cara é incansável: ano passado foi syriana, o retrassado, rebirth. sempre perfeito.
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quarta, 20 de dezembro de 2006
os 30 melhores filmes do ano
o bom de se manter um log dessas coisas é que uma tarefa de listar essas listas de melhores do ano, meio enfadonha porque sempre se tem a certeza de estar esquecendo algum item, numa época do ano que a sua cabeça não está no seu melhor desempenho, sai quase que automaticamente (uma linha em rails se fez necessária, devo admitir).
então, estes são os trinta melhores do ano na minha opinião (dos vistos no cinema).
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quinta, 14 de dezembro de 2006
the ringer, um curta
oportunamente, para aproveitar o infame piercing da karina bacchi, que, descobriram, era falso, e o cantor revelação que vendeu a integridade artÃstica para uma marca de cachaça, subi um curta do diretor jeff lieberman pro google video chamado the ringer.
nele, lieberman, em 20 minutos, mostra até onde chega a influência das práticas modernas do marketing publicitário na vida dos jovens. é brilhante!
agora um redator for hire em hollywood, ele é o diretor de blue sunshine, filme de horror dos anos 70 sobre os males do lsd.
o filme, que recentemente comprei em dvd, tem a trilha sonora mais assustadora que eu já ouvi (sério, é de ser estudada) e mais uma cena de massacre em pista de dança disco para minha coleção.
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quarta, 6 de dezembro de 2006
boicote a ‘turistas’
é muita pequenez se incomodar com o filme turistas desse jeito, ao ponto de inundar a caixa postal de todos com mensagens de boicote.
hollywood não está numa cruzada para denegrir a imagem internacional do brasil (que até aqui, dada a repercussão, devia ser realmente imaculada), só procurava um lugar exótico o bastante para que a trama meio sem sentido adquirisse algum tipo de veracidade ao olhar do hillbilly de inteligência mediana. o mesmo artifÃcio que fez elis roth escolher bratislava para cenário de o albergue, que, aliás, encontrou a mesma fúria por lá (e olha que nem lá ele foi filmado, e sim numa cidade nos arredores de praga).
é de se pensar por que há um consenso sobre o orgulho que sentimos com o sucesso de um filme como cidade de deus e vilipendiamos um que é abertamente mais fantasioso (a lenda urbana do golpe do boa noite cinderella existe em qualquer lugar do mundo).
ao invés do boicote ao filme, poderÃamos gastar toda essa energia discutindo sobre o problema real do turismo no brasil. ônibus de turistas estrangeiros escoltados pela polÃcia para evitar os arrastões, as hordas de velhacos que desembarcam aqui para aproveitar a oferta de prostitutas infantis…
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quinta, 23 de novembro de 2006
bladerunner em dvd
não comprem a versão do dvd do bladerunner que está em pré-venda por aÃ. trata-se de uma reedição daquela versão que existia no mercado até pouco tempo.
ano que vem sai a versão comemorativa de 25 anos do filme, com todas as edições existentes do filme e uma nova, nunca vista, editada por ridley scott há alguns anos atrás para os 20 anos do filme e que não viu a luz do dia por um processo que corria na justiça americana.
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sábado, 18 de novembro de 2006
u de quem?
o cachê do google é revelador! o da suely também.
o filme é bem legal, vale lembrar.
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segunda, 13 de novembro de 2006
king kong estendido

sai amanhã!
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sexta, 27 de outubro de 2006
fonte da vida 



a razão para o terceiro filme de darren aronofsky estar recebendo crÃticas tão diversas reside na própria natureza do diretor: com pi e requiém para um sonho na bagagem, aronofsky era visto como uma espécie de novo kubrick da warner, um dos poucos film auteurs americanos com trânsito livre nos festivais internacionais, do mais pop ao cinema de arte mais extremo.
pois bem, o diretor viu matrix e decidiu, como ele mesmo declarou, fazer um filme de ficção-cientÃfica diferente, quem sabe o seu 2001, com toda pretensão que isso possa acarretar.
fonte da vida é isso, um filme de ficção-cientÃfica sobre a busca pela imortalidade, ou pelo amor eterno. algo que pode soar meio piegas e até meio esotérico, dado mais à estética dos efeitos visuais do que ao caráter espiritual ou metafÃsico de partes do roteiro.
o que separa este filme dos outros dois do diretor e talvez o que faltou para o tornar o que ele realmente deveria ser é que, por algum motivo (sua assepsia talvez), o filme não cativa de primeira, nunca chega a colocar o espectador dentro da trama, o que o faz não baixar a guarda num filme que invoca essa rendição por se tratar de algo inalcançável mas que é, se dúvida, um sonho do homem - o viver para sempre, amar para sempre.
só que aronofsky continua afiadÃssimo em sua direção. o filme tem uma edição estupenda, um ritmo único, que não se vê em nenhum outro lugar a não ser num filme dele. é aà que fonte da vida se sobressai.
é um filme para ser revisto, ainda não sei o que sinto sobre ele. certamente, é algo novo, que não vai agradar ao público de festival que vê o nome do diretor com bons olhos desde requiém, nem ao público cinemark, que vai assistir ao filme pela presença de hugh jackman e irá sair sem entender nada.
quero vê-lo em casa, sossegado e fora do contexto “mostra”.
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segunda, 23 de outubro de 2006
babel 


a maior decepção da mostra sp até agora (imho), o último de alejandro gonzález iñárritu (amores brutos, 21 gramas) é mais um filme daqueles de roteiro “hyperlinkado” cuja forma já se tornou tão bem digerida que até conseguiu ganhar oscar de melhor filme da academia ano passado com crash.
em pauta, mais uma vez, a visão pessimista de iñarritu sobre o homem dos anos 00 e a intolerância entre raças, povos e paÃses.
o resultado cai longe da novidade e o roteiro, que embora conte com boas atuações de um elenco multi-étnico competente, se vira muito para sair do burocrático, tudo menos o que o filme deveria ser.
o que parece é que a forma aqui (a do roteiro hyperlink) acabou com a força que as histórias poderiam ter se analisadas individualmente; e que a história central, a do casal de turistas americanos em apuros que deveriam ter ido para o club med mais próximo ao invés do deserto de marrocos, não consegue se sustentar como pano de fundo para as outras, invariavelmente mais interessantes.
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el laberinto del fauno 




é fácil fazer uma criança acreditar no mágico, prova disso são as animações 3d que estream ao rodo nos cinemas, todas com público cativo, muitas vezes independente de sua real qualidade. difÃcil mesmo é fazer uma fábula para adultos. shyamalan, por exemplo, tentou em a dama da água e comeu poeira. já guillermo del toro fez disso uma pequena obra prima.
em el laberinto del fauno, del toro mostra uma criança em plena guerra civil espanhola, dividida entre a dura vida real que lhe deu um sádico coronel espanhól como padrasto e a vida mágica em que é a princesa perdida de um reino subterrâneo.
evitando os possÃveis clichés, del toro faz um filme que emociona adultos por não tentar mascarar a realidade com enfeites lúdicos, mas por acrescentá-los a narrativa do filme como mais um elemento.
el laberinto é violento, sem amarras e tocante. um filme que de tão único tinha mesmo que ser feito longe das engrenagens norte-americanas, com as quais del toro já havia se acostumado.